RESENHA | "FAHRENHEIT 451" de Ray Bradbury

Foto: Acervo Pessoal - Parágrafo Cult

Editora: Biblioteca Azul |  Páginas: 215  |  Ano: 2012  |  Gênero: Ficção-científica, distopia

Sinopse: Imagine uma época em que os livros configuram uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fato reais. Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando conhece a vizinha Clarisse, ima adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória. 

Quem é fã de distopias, com toda a certeza já deve ter ouvido falar de Fahrenheit 451 que hoje é considerado um clássico literário e que ao lado de obras como Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e 1984 de George Orwell, figura como uma das maiores distopias já feitas e que mesmo nos dias de hoje, continua sendo bem atual.

Todo homem é demente quando pensa que pode enganar o governo e a nós.

Ray Bradbury construiu uma sociedade - Fahrenheit 451 - totalmente alienada. A leitura não é mais socialmente aceita e quem é pego escondendo livros de forma ilegal em sua casa, sofre as consequências de seu "crime". Guy Montag é um homem na casa dos trinta anos, casado e um bombeiro que gosta de seu trabalho. 

Ontem à noite eu pensei em todo o querosene que usei nos últimos dez anos. E pensei nos livros. E pela primeira vez percebi que havia um homem por trás de cada um dos livros. Um homem teve de concebê-los. Um homem teve de gastar muito tempo para colocá-los no papel. E isso nunca havia me passado pela cabeça.

Mas não se engane. Nesse futuro indefinido, as casas são à prova de fogo então bombeiros para apagarem chamas são totalmente desnecessários. Aqui eles são chamados para começarem incêndios. Sim, isso mesmo. Os livros são perigosos e por isso é de extrema urgência que sejam queimados, reduzidos a cinzas. 

Este é o lado bom de morrer; quando você não tem mais nada a perder, corre o risco que quiser.

Apesar da sensação de vazio, Montag gosta de seu trabalho, como diz no começo do livro "Queimar era um prazer". A ideia defendida por aquela sociedade era a de que os livros atrapalham na felicidade das pessoas, no seu bem-estar.  

Não se esqueça, pensou ele, queime-os ou eles o queimarão. No momento a coisa é simples assim.

Montag não é um cara mau. Veja bem, ele é fruto da sociedade em que se encontra inserido. Seus pensamentos e escolhas são moldados conforme o que ele vivera. Porém tudo muda quando ele conhece a sua vizinha Clarisse, uma adolescente que o ensina a ver o mundo de outra forma, completamente diferente dos padrões em que vivera. Curiosa, cheia de questionamentos e parecendo estar sempre nas nuvens, ela o leva a pensar sobre sua vida e a forma como tem vivido. O deixa curioso e ávido por conhecimento e por entender o motivo que faz o governo considerar a leitura um crime.

Meu deus, como isso aconteceu? - disse Montag - Numa noite está tudo bem e na seguinte estou me afogando. Quantas vezes um homem pode afundar e continuar vivo? Não consigo respirar. 

Estar acompanhado de Clarisse vai mudando Montag aos poucos. Ela é sua única companhia já que tem uma vida solitária. Sua esposa, Mildred, vive como uma refém de sua "família televisiva" e de pílulas para dormir. Quando Clarisse desaparece, o choque pelo sumiço da amiga o faz acordar e perceber a superficialidade e a forma falsa em que as pessoas estão vivendo. Para você ter uma ideia, suicídios aqui são vistos como algo comum e normal, uma nova guerra está prestes a se iniciar e as pessoas não só vivem em uma bolha de falsa felicidade como também se recusam a sair dela. 

Um livro é uma arma carregada na casa vizinha. Queime-o. Descarregue a arma. Façamos uma brecha no espírito do homem. Quem sabe quem poderia ser alvo do homem lido? Eu? Eu não tenho estômago para eles nem por um minuto. E assim, quando as casas finalmente se tornaram a prova de fogo, no mundo inteiro (...), já não havia mais a necessidade de bombeiros para os velhos fins. Eles receberam uma nova missão, a guarda de nossa paz de espírito, a eliminação do nosso compreensível e legítimo sentimento de inferioridade: censores, juízes e carrascos oficiais. Eis o nosso papel, Montag, o seu e o meu.

Um dos momentos mais chocantes para mim, foi ao notar que sim, o governo opressor transformou a vida dos cidadãos colocando a leitura como crime mas parar de ler foi uma escolha da própria população. Eles não foram forçados a nada. A aversão a leitura foi aos poucos se tornando uma realidade com a chegada das televisões, o Governo apenas terminou de acabar com tudo, não sendo o único culpado pela situação em que o povo se encontrava.

Montag ouvia a voz de Beatty. "Sente-se, Montag. Observe. Delicadamente, como as pétalas de uma flor. Acenda a primeira página, acenda a segunda página. Cada uma se torna uma borboleta preta. Linda, não é? Acenda a terceira página na segunda e assim por diante, fumaça em cadeia, capítulo a capítulo, todas as coisas estúpidas que as palavras significam, todas as falsas promessas, todas as noções de segunda mão e filosofias desgastadas pelo tempo."

Toda a obra se passa em um espaço de tempo relativamente pequeno e é dividida em três partes com uma leitura bem fluída, fácil de se entender. Montag está farto de todo o vazio das pessoas e sente que precisa agir. Claro, essa impulsividade o coloca em apuros mas também é o que precisava para que se movesse em direção a algo maior. 

Outro personagem bem interessante do livro é o Capitão Beatty, chefe dos bombeiros. Um cara extremamente inteligente e dono de grande parte dos melhores diálogos do livro. Em muitos momentos ele expõe de forma clara a forma como todos veem o perigo da leitura e das pessoas 'diferentes'. Muitas vezes usando argumentos de grandes autores para justificar o motivo de tais decisões do governo. 

Os que não constroem precisam queimar. Isso é tão antigo quanto a história e os delinquentes juvenis. 

Esse livro é um dos meus preferidos e mesmo sendo uma obra de 1953, seu tema é mais atual do que nunca, principalmente no momento em que estamos passando. É uma leitura rápida e simples, do tipo que dá para terminar em um dia, além de ser bem fácil de compreender. O final consegue ser realista e satisfatório. Leitura mais do que indicada. <3

Nota: 5,0 / 5,0
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RESENHA | "ANNE DE CABELOS RUIVOS" de Lucy Maud Montgomery

Foto: Acervo Pessoal - Parágrafo Cult

Editora: 
Ciranda Cultural |  Páginas: 319  |  Ano: 2019  |  Gênero: Ficção, infanto-juvenil

Sinopse: Anne é uma pobre orfã que foi enviada por engano para a fazenda de Green Gables, pois os irmãos Matthew e Marilla tinham a intenção de adotar um menino para auxiliar nos trabalhos domésticos. Com pena da pobre garota, os dois resolveram mantê-la na fazenda ao descobrirem que, definitivamente, era uma menininha diferente de todas as outras. Com seus longos cabelos ruivos, seus olhos acinzentados e uma imaginação que lhe permitia viver muitas fantasias, mas que a metia em muitas confusões também, Anne traz reflexões pertinentes sobre os obstáculos da vida de qualquer pré-adolescente. 

Por conta da série Anne With an E da Netflix, eu me apaixonei por Anne Shirley e Green Gables. Não fazia ideia de que se tratava de uma série literária até pouco tempo atrás e quando descobri, já me pus a procurar os livros para poder ler sobre, afinal, queria saber o que aconteceria nas próximas temporadas caso a mesma se mantivesse fiel a obra original.

A senhora Spencer disse que era maldade minha falar desse jeito, mas minha intenção não foi ser má. É fácil demais ser mau sem se dar conta disso, não é? 

Infelizmente a série foi cancelada agora na terceira temporada mas as obras literárias são em torno de 6 ou 7 sobre Anne. O livro é todo focado nela, a garotinha tagarela de cabelos vermelhos, rosto sardento e imaginação fértil. Anne consegue conquistar todos que a cercam. Apesar de ter tido uma vida difícil, a garota se ateve fortemente a sua imaginação fértil pois isso lhe permitia viajar para outras realidades, ser o que quisesse, fugir mesmo que por alguns momentos de onde se encontrava.

 - Bem, não estou certa. - Anne pareceu pensativa. - Certa vez, li em um livro que se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume, mas nunca consegui acreditar nisso. Não acredito que uma rosa seria tão agradável se fosse chamada de cardo ou repolho-de-gambá. 

Anne é doce. Um amor de criança com seus onze anos de idade. É bem madura porém ao mesmo tempo é pura inocência. Ela só quer ser amada e ter um lugar para chamar de casa e por conta disso, vai aos céus quando vê que será adotada. Ao menos até perceber que tudo não passou de um engano. Os irmãos Matthew e Marilla já não eram mais jovens e por isso planejavam adotar um garoto para ajudá-los nos trabalhos da fazenda. 

Para Anne, levar as coisas com calma seria mudar sua natureza. Sendo toda "espírito, fogo e orvalho", os prazeres e as dores da vida eram recebidos por ela com tripla intensidade. Marilla percebia , e se preocupava vagamente com isso, dando-se conta de que os altos e baixos da existência provavelmente seriam um fardo pesado para aquela alma impulsiva, mas sem entender totalmente que a capacidade igualmente intensa de ela se deleitar talvez compensasse isso e um pouco mais.

Porém, Matthew, que fora buscar o "garoto", foi completamente fisgado por Anne, que não parava de tagarelar sobre tudo que via. Pronto. Ele fora fisgado ali. Sabia que Marilla, que era bem mais fria do que ele, não aceitaria ficar com uma orfã que fora enviada por engano para a fazenda de Green Gables em Avonlea, porém ele a queria. Já sentia que Anne pertencia a ele e vice-versa. A relação paternal entre Anne e Matthew me emocionou em muitos momentos. O amor de um pelo outro é nítido, cheio de parceria e carinho. Marilla também não fica para trás porém não é tão mole quanto o irmão. Ela é mais rígida e não sabe expressar muito bem o que sente mas em seu coração, não consegue mais se imaginar sem a criança que já amava como filha.

Marilla olhou para ela com uma ternura que jamais teria se permitido revelar em uma luz mais clara do que aquela mistura suave de brilho do fogo e sombras. A lição de um amor que deveria ser demonstrado facilmente com palavras ou com um olhar visível era uma que Marilla jamais seria capaz de aprender. 

A obra toda se passa até Anne fazer 16 anos. Apesar disso, não é um livro corrido. O tempo passa naturalmente e você nem percebe, as passagens de tempo não incomodam. Vemos a garotinha cheia de sardas se meter em muitas confusões por conta de seu temperamento e imaginação fértil, isso se não contarmos também as suas respostas rápidas e impulsividade. Uma das que mais ri, foi quando ela pintou seu cabelo de verde em uma tentativa de deixar os fios pretos, o que acaba fazendo com que Marilla tivesse que cortá-lo já que o mesmo ficara em um estado tão crítico que não tinha mais salvação. 

 - A menina Anne está melhorando constantemente - disse ela. - Eu me canso das outras meninas, pois elas têm uma mesmisse eterna e irritante. Anne tem tantas nuances quanto o arco-íris, e cada nuance é a mais bonita que há enquanto dura. Não sei se ela é tão divertida quanto quando era criança, mas ela faz com que eu a ame, e gosto de pessoas que fazem com que eu as ame. Isso me poupa o enorme trabalho de fazer a mim mesma amá-las.

Apesar de tudo, Anne é só uma criança e portanto, em muitos momentos ela age como uma. Me irritei um pouco com a birra dela com seu colega de classe, o Gilbert Blythe, por ele tê-la chamado de "Cenouras" e puxado uma de suas tranças. Dois anos de birra com o garoto só por conta disso, mesmo ele pedindo desculpas e tentando se aproximar. Ficou bem óbvio que quando ela respondeu a provocação batendo com sua lousa no rosto dele - na época em que o livro se passa, não era comum a utilização de cadernos em sala de aula, e sim de um pequeno quadro-negro por aluno -, Gilbert caiu de amores por ela. Anne amava e odiava com a mesma intensidade, portanto o garoto teve que se esforçar de verdade para conseguir sua amizade. Aqui no livro ele não só é bem mais presente na vida da menina, como seu amor por Anne fica bem na cara desde o início, ao contrário da série. Ele corre bastante atrás dela e quando finalmente consegue seu perdão, vira um querido amigo, do tipo paciente, esperando seu momento e oportunidade de entrar no coração da jovem. Seus cabelos ruivos e sardas a incomodavam muito e isso era algo que ela sempre comentava, sobre o quanto queria que seus cabelos fossem escuros como o de sua amiga Diana ou que suas sardas sumissem e os cabelos ficassem em um lindo tom acaju. 

Gilbert Blythe não estava acostumado a se dar o trabalho de fazer com que uma garota olhasse para ele e fracassar nisso. Ela deveria olhar para ele, aquela tal de Shirley, ruiva e com o queixinho pontudo e olhos grandes que não eram como os olhos de nenhuma garota de Avonlea. 

Falando nisso, a amizade dela com Diana é linda. As duas realmente se amam e em nenhum momento dessa irmandade há algum espaço para inveja ou qualquer coisa do tipo. Uma está sempre tentando deixar a outra bem e isso é muito fofo de se ler. 

O livro não é tão militante como a série, que aborda temas feminismo, racismo e homossexualidade - entre outros tópicos importantes - porém tem seus momentos e quando quer falar sobre algum tema do tipo, isso é feito de forma bem sutil. Não podemos esquecer que a obra original, conhecida como Anne de Green Gables foi originalmente escrita em 1908 e portanto, apesar de ter assuntos muito avançados para a época, ele não é tão atual como na série mas para 1908, ele estava bem a frente de seu tempo. É uma leitura bem leve e gostosa para quem curte o gênero infanto-juvenil. Anne Shirley é uma personagem maravilhosa, inteligente, querida e desastrada, completamente fácil de amar. Mas não nego que não acho que todos os leitores amariam esse tipo de leitura, com muitos momentos parados sobre o cotidiano dela em meio a devaneios infantis.

Nota: 4,5 / 5,0
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6 Melhores começos de livros

Foto: Pixabay
Eita, que o ano está acabando. Essa vai ser a última postagem de 2019. Os dias voaram e quando pisquei, já estávamos em dezembro. Não que esse ano tenha sido maravilhoso, mas estou bem otimista quanto a 2020.
Enfim, essa semana eu estava organizando a minha estante de livros - algo que é quase impossível de se fazer porque parece que quanto mais tento arrumá-la, mais bagunçada ela fica - e encontrei um livro que havia lido há tempos e que só o tinha feito porque sua introdução me conquistara assim que a li e que por conta disso não consegui o largar mais. 
Isso me fez pensar sobre a importância da primeira frase ou do primeiro parágrafo de um livro. Várias obras me prenderam ali em seu início e em sua maioria a minha experiência como leitora foi incrível. 
Pensando nisso, trouxe aqui seis livros que me conquistaram bem no seu comecinho graças ao talento do autor que já fisga o leitor bem ali em suas primeiras frases. É óbvio que essa é apenas a minha opinião mas esses livros estão guardados em minha memória para sempre. 

6.  Peter Pan (Autor: J. M. Barrie)


Todas as crianças crescem. Menos uma. 

5. Harry Potter e a Pedra Filosofal (Autora: J. K. Rowling)


O Sr. e a Sra. Dursley, da rua dos Alfeneiros, nº 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. 

4. Memórias Póstumas de Brás Cubas (Autor: Machado de Assis)

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.

3. O Hobbit (Autor: J. R. R. Tolkien) 

Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de minhocas e com cheiro de lodo. Tampouco numa toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto. 

2. Lolita (Autor: Vladimir Nabokov)

Lolita, luz de minha vida, fogo de meu lombo. Meu pecado, minha alma. Lolita: a ponta da língua fazendo uma viagem de três passos pelo céu da boca, a fim de bater de leve, no terceiro, de encontro aos dentes. LO. LI. TA. Era LO, apenas LO, pela manhã, com suas meias curtas e seu um metro e quarenta e oito centímetros de altura. Era Lola em seus slacks. Era Dolly na escola. Era Dolores quando assinava o nome. Mas, em meus braços, era sempre Lolita.

1. O Pistoleiro - A Torre Negra I (Autor: Stephen King)

O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás. 

Quais livros te prenderam bem no começo? Me conte, porque sou uma pessoa bem curiosa.
Ah, e um Feliz Ano Novo para vocês, nos vemos no ano que vem (desculpa pela piadinha nível tiozão mas não resisti rsrs).  
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RESENHA | "O LABIRINTO DO FAUNO" de Guillermo Del Toro e Cornelia Funke

Editora: Intrínseca |  Páginas: 320  |  Ano: 2019  |  Gênero: Fantasia
Sinopse: Na década de 1940, diante da brutalidade de seu cotidiano na Espanha fascista, Ofélia, uma menina de treze anos cujos melhores amigos são os livros é conduzida a um universo mágico, que extrapola os limites entre sonho e realidade, beleza e horror. Nesta edição, Cornelia Funke tece em palavras a inesquecível obra-prima de Guillermo del Toro. A narrativa de Ofélia é intercalada com ilustrações e contos de fadas  inéditos, baseados em elementos-chave de O Labirinto do Fauno. Uma ode ao poder das histórias, seja em imagens ou palavras, e a sua capacidade de transformar a realidade a nossa volta.

Apesar do filme da obra, que foi lançada em dezembro de 2006, ser bastante popular, até hoje eu não o assisti. Não vejo muitos filmes ou séries, esse hábito começou começou a crescer em mim recentemente e só agora que tenho visto bastante filmes. Por conta disso, apesar de todas as belas imagens que eu via, nunca me interessei realmente para sentar desfrutar da obra cinematográfica tão elogiada. Porém, há pouco tempo atrás eu estava em uma livraria do shopping e me deparei com o livro do filme. Como eu tinha curiosidade mas nunca havia assistido, vi ali uma chance de conhecer o universo de Del Toro do jeitinho que eu gosto, que é lendo.

Descobrir os segredos dos adultos significa descobrir como entender o mundo deles...e aprender a sobreviver nele.

Meu irmão me perguntou o que eu queria de Natal e foi esse livro que pedi. Devorei o mesmo em uma tarde e só posso dizer que até agora estou encantada. Não tenho como comparar com o filme já que ainda não o vi - pretendo o fazer antes do Ano Novo, prometo - mas sei que aqui no livro, o universo do filme é até mesmo expandido, com alguns contos sobre coisas simples e até mesmo "insignificantes" para o leitor. 

Os livros podem ensiná-la tanto sobre este mundo e outros lugares distantes, sobre animais e plantas, sobre as estrelas! Podiam ser janelas e portas, asas de papel para ajudá-la a voar para bem longe. Talvez a mãe tenha esquecido como era voar. Ou talvez nunca tenha aprendido.

Aqui temos Ofélia, uma garota sensível e com uma mente rica graças aos muitos livros que lê. Ainda abalada pela morte do pai na guerra, de quem era bem próxima, ela está tentando se adaptar a nova vida e a sua nova casa em um antigo moinho. Só se passara um ano da morte do pai, mas sua mãe já estava próxima de dar a luz de um novo filho com o seu novo marido, o capitão Ernesto Vidal, um homem de quem Ofélia não gosta porém que tenta aceitar para agradar a mãe. 

Às vezes os objetos que tanto estimamos revelam mais sobre nós mesmos do que as pessoas que amamos. 

O amor mata de várias maneiras.

Seu novo padrasto é um homem mau, assustador e controlador. Ela o chama de Lobo, como aos vilões dos Contos de Fada que sempre amou, já que os livros são seus melhores amigos. Lobo não parece realmente gostar de sua mãe, apesar da mulher, Carmem, ser muito bonita. Ele parece se importar apenas com o seu filho. Filho esse que, na opinião de Ofélia, está adoecendo a sua mãe. 
Próximo ao moinho onde mora, há um labirinto que desde o início chamara a atenção de Ofélia porém Mercedes, uma das mulheres que trabalha na casa e alguém que cria um enorme laço maternal com a garota com o passar da história, dissera para ela para não entrar ali porque era perigoso, afinal poderia se perder. E ela obedece, claro. Ao menos até uma Fada aparecer em seu quarto a mando de um Fauno e a levar até lá, onde descobre ser a princesa de um Reino Subterrâneo, a Princesa Moanna. 

Só os livros abordavam todas as coisas sobre as quais os adultos não queriam conversar: Vida. Morte. O Bem e o Mal. E tudo mais que tinha alguma importância na vida.

Porém, para que possa voltar para o seu antigo reino, o Fauno lhe diz que terá que cumprir três tarefas para se provar: a primeira é pegar uma chave que está dentro do estômago de um sapo grotesco e guloso, a segunda é pegar um punhal que está em posse do Homem Pálido, uma figura assustadora com os olhos nas palmas das mãos e a terceira que é derramar sangue de um inocente. 
É claro que as coisas não são fáceis para Ofélia já que a história se passa em uma Espanha fascista, onde seu padrasto é um capitão cruel , sem contar que a garota é apenas uma criança. Paralelamente temos o núcleo dos rebeldes escondidos na floresta e seus ataques contra as tropas de Vidal, assim como Mercedes os ajudando como uma espiã.

Quanta maldade. Era o que ela mais via naquele lugar. Às vezes se perguntava se a crueldade já tinha coberto o próprio coração, feito mofo.

A história é muito bem escrita, com uma delicadeza de aquecer o coração do leitor. Cornelia Funke soube trazer magia para a história com uma sensibilidade mais do que necessária ali. Sou uma leitora muito sensível. Palavras me tocam o coração e eu sou do tipo que choro lendo, fico nervosa, rio. E foi o que me peguei fazendo aqui. Quando finalizei a história, precisei de um momento para absorver a obra que acabara de ler.

Escolher a liberdade tem um preço alto.

Às vezes até os médicos são transformados em açougueiros pelas trevas do mundo. 

Todo o trabalho em volta da obra também ficou maravilhoso. A capa é dura, tendo o nome do livro e dos autores, além de alguns pequenos elementos envernizados. As ilustrações também são lindas e muito bem feitas, tendo tudo a ver com a história. A lateral das páginas é azul e para marcar a leitura, temos uma fita de cetim preta. Tudo em ótima qualidade.

Os piores medos estão sempre abaixo de nós, escondidos, abalando as estruturas que queríamos que fossem firmes e seguras.

Cada início de capítulo tem uma página decorada e antes de vários contos do livro, temos uma bela ilustração da história. Sim, há vários contos espalhados que expandem um pouco o universo do filme. É interessante de ler e bem simples, ajudando a enriquecer a história.

Gotas de chuva também eram lágrimas. O mundo inteiro estava chorando.

Foi um dos melhores livros que li esse ano. A minha edição ficou cheia de post-its de tanto que marquei alguns trechos e me deixou bem ansiosa para assistir ao filme, me encantou totalmente. Agora quero ler A Forma da Água já que amo o filme. O mesmo me lembrou muito um clássico antigo chamado O Monstro da Lagoa Negra e o livro já está na minha lista tem tempo. 

Nota: 5,0 / 5,0


O amor é uma armadilha muito eficiente, e a verdade mais cruel sobre a guerra é que ela o torna um risco mortal.

Você já leu esse livro ou viu o filme? Me conta o que achou. Ainda estou apaixonada pela figura do Fauno.
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6 LIVROS QUE QUERO LER EM 2020

Foto: Pixabay
Com o final do ano, é comum ver as pessoas fazendo lista de metas e planos, tentando deixar para trás tudo de ruim do ano que está finalizando. Eu sou uma dessas pessoas. Faço uma lista de metas e de coisas que desejo fazer no ano que se inicia e tento sempre fazer tudo que planejava. 
Claro que nem sempre dá certo mas é um bom caminho a seguir. Me deixa animada e empolgada. Uma das listas que gosto de fazer, são de livros que planejo ler durante o ano. Claro que não serão as minhas únicas leituras de 2020 porém, se tudo correr bem, serão algumas leituras que farei no passar dos meses. 

1. "O Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson

2. "O Homem que caiu na Terra" de Walter Tevis

3. "O Instituto" de Stephen King

4. "O Colecionador" de John Fowles

5. "Eu sou a Lenda" de Richard Matheson

6. "Vinte Mil Léguas Submarinas" de Julio Verne

A minha lista de leituras no Skoob tá ENORME mas essas aqui são minhas prioridades. Espero que consiga terminar antes do fim do ano. Mas e vocês, quais os livros que pretendem ler em 2020? 
E sim, dei uma boa sumida esse mês. Sou maquiadora e dezembro é de longe o mês em que mais trabalho então não tenho conseguido parar quieta mas fiquem tranquilos, o blog vai seguir firme. <3
Ah, eu também posto no blog da Ley, o Imersão Literária e o insta do Parágrafo Cult, junto com outros dois, está com um sorteio no ar bem legal de um cupom de vale-compras de R$ 120,00 em livros na Amazon. A foto oficial é essa AQUI.
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