MEUS CRUSHES LITERÁRIOS

Foto: Larissa - @paragrafocult
Todo bom leitor já teve uma paixão platônica por algum personagem durante a leitura de um livro. Isso é inevitável. São paixonites tão boas essas. Suspirar por personagens, sofrer junto deles, morrer de amores e lhes desejar um final feliz.
Eu mesma já perdi a conta de quantos personagens me arrancaram suspiros durante a leitura de seus livros. Alguns me marcaram mais do que outros, claro. Uns já perderam o meu amor porque os vejo de forma diferente atualmente, e outros eu superei. rsrsrs

Pensando nisso, trouxe alguns dos personagens que mais me arrancaram suspiros e que conquistaram o meu coração de uma forma que acho que até hoje sou apaixonada. A maioria eu "conheci" durante a infância e adolescência então são em sua maioria, de livros infanto-juvenis.

GILBERT BLYTHE
Livro: Anne de Green Gables (série literária)
Autora: Lucy Maud Montgomerry

Gente, Gilbert é maravilhoso. Quem assistiu a série da Netflix chamada Anne With an E que é inspirada nessa série literária maravilhosa, já teve uma pequena ideia de como ele é. Na obra literária acabamos não conhecendo tanto de Gilbert quanto na adaptação (o que inclusive, foi algo muito bacana já que deixou o personagem ainda mais fofo do que ele já era). No livro, o rapaz tem um pouco menos de destaque e como Anne é distraída, podemos ver claramente a sua devoção e amor pela personagem mesmo que ela não enxergue isso. É impossível não se apaixonar. Acho que de todos os meus amores e paixões literárias, ele ocupa o primeiro lugar.

JESSE DE SILVA
Livro: Série literária A Mediadora
Autora: Meg Cabot

Apesar de ser um fantasma, Jesse é um completo cavalheiro. Além de bonito, é educado, se importa e cuida da Susannah o tempo inteiro e de bônus, não é um bundão abusivo mesmo tendo mais de 300 anos. Ao menos não que eu me lembre. A protagonista se desmanchava sempre que ele aparecia e eu também. Ah, como adolescente é, né? Fiquei babando por um personagem que era um fantasma. hahah

RUDY STEINER
Livro: A Menina que roubava livros
Autor: Markus Zusak

O meu coração se partiu em mil pedaços com esse livro. Torci tanto durante a leitura para que a guerra acabasse, para que Liesel finalmente desse a Rudy o beijo que ele tanto queria, que o tempo passasse e os dois crescessem e percebessem o amor ali entre eles. Foi um livro que me marcou de diversas formas. Seus personagens estão para sempre na minha memória. Outro personagem da obra que me conquistou foi o Max, mas o Rudy com toda certeza se sobressaiu.

PETER PAN
Livro: Peter Pan & Wendy
Autor: J. M. Barrie

Hoje em dia eu tenho a completa noção de que Peter não é um mocinho mas quando eu era novinha, morria de amores por ele. Ouso dizer que o personagem foi o meu "primeiro amor", sério. rsrsrs Lembro de que por um bom tempo eu dormi com a janela do quarto aberta, querendo ir para a Terra do Nunca, até minha mãe ver isso e me obrigar a fechar já que poderia entrar algum bicho no quarto (a janela tinha grades e eu não morava no térreo).

Tenho que deixar uma menção honrosa para o Rony Weasley, a Lisbeth Salander, Percy Jackson, o Peeta e Augustus Waters... Eu poderia ficar horas e horas escrevendo esse post mas acho melhor parar por aqui para não transformar essa postagem em uma bíblia de tão grande que ficaria.

Me conte quais personagens conquistaram seus corações. :D
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RESENHA | "TUDO O QUE PODERÍAMOS TER SIDO" de Zeka Sixx

Foto: Larissa  |  @paragrafocult
Editora: Coralina | Páginas: 216 | Ano: 2020 | Gênero: Nacional, Jovem Adulto

Sinopse: Porto Alegre, abril de 2016. Em meio aos dias tensos que sucederam À votação do impeachment, três jovens sem planos para o futuro - ou mesmo para o presente - se apaixonam e desapaixonam, enquanto flertam com outras tentações e procuram, sem muito esforço, entender se a manjada tríade sexo, drogas e rock-and-roll ainda é a única resposta para o vazio e a desesperança. Lola domina a noite da cidade como uma rainha, entornando toneladas de drinques enquanto digere uma paixonite por um cara que não lhe dá notícias. César tenta se adequar aos novos tempos, que ele não quer realmente compreender, pois deseja, no fundo, que tudo seja simples como antes. Júlia quer se reinventar, após se ver forçada a terminar um relacionamento por divergências políticas. Tudo o que poderíamos ter sido é a fotografia de uma geração já nem tão jovem assim, cujo maior pesadelo é simplesmente amadurecer.


Sempre gostei muito de livros que abordam temas mais reais, com personagens imperfeitos onde posso me identificar com seus problemas, dramas e gostos. Acho que obras (não falo apenas de livros) que nos apresentam personagens realistas acabam me conquistando bem mais do que aquelas onde seus protagonistas parecem ter sido moldados em um formato padrão de aparência e personalidade, como se tivessem sido feitos para agradar e se aproximarem da perfeição. Personagens assim me deixam um pouco entediada e não me conquistam, acabo achando tudo previsível demais. Sem contar que quando a realidade dele é parecida com a minha, consigo me sentir dentro da história e consequentemente, aproveito melhor da leitura. 

"A decadência de uma sociedade, por mais paradoxal que pareça, fica escancarada quando se troca o sexo e a libertinagem por fanatismo religioso."

Esse livro é diferente dos outros que costumo ler. Uma obra mais adulta, repleta de um vocabulário mais desbocado e com cenários e personagens realistas. Narrado por três personagens em capítulos alternados (apenas um capítulo lá para o fim do livro que é narrado por um quarto personagem), a obra se passa em Porto Alegre, no ano de 2016. A política brasileira está em polvorosa com o possível impeachment da presidente Dilma e no meio dessa zona que tem se dividido entre esquerda e direita, repleto de "Fora, Dilma!" e etc, temos os três personagens principais do livro. 

"Sem dúvida, o significado de liberdade foi alterado pela época economicamente difícil em que vivemos."

Os anos dourados da juventude onde tudo parecia ser mais fácil estão cada vez mais distantes porém eles não parecem querer desapegar, desatar o nó dessa época fácil para assim aceitar a vida adulta junto de toda a bagagem de responsabilidade que vem junto dela. Lola é uma DJ de trinta e dois anos que tem total consciência de que grande parte do que possui é fruto de sua aparência, já que é muito atraente. O seu estilo rock 'n' roll não se limita apenas a sua aparência, afinal, ela não coloca limites quando quer aproveitar, seja com relação a bebida quanto ao sexo. Quer aproveitar a vida e viver o momento, sem pensar muito no que a aguarda no futuro, já que acha que não viverá tanto assim.

"A velhice é uma cadela traiçoeira e impiedosa. O tempo destrói tudo."

César é um cara com seus trinta e poucos anos porém com uma mentalidade e estilo de vida de um adolescente. Vindo de uma família rica, só se formou na faculdade por conta de pressão familiar e por causa disso, está preso em um emprego que odeia. Sua forma de pensar me incomodou em muitos momentos. Ele quer apenas curtir como fazia quando jovem. Transar com muitas mulheres, viajar e ser bancado pelos pais sem ter que fazer muito esforço. Inclusive, essa sua fixação por sexo o fazia tecer comentários bem ridículos sobre as mulheres quando as analisava fisicamente, tentando ver se conseguiria algo com elas. 

"Às vezes, simplesmente escolhemos ser burros, estúpidos, e não há nada que possa ser feito. Viva o livre-arbítrio!"

Já a Júlia, irmã mais nova de César, foi a personagem que mais gostei. Acabara de sair de um relacionamento bem ruim e começa o livro querendo mudar, começar uma vida nova depois de anos de um namoro que não lhe acrescentou em nada. Um dos motivos para o fim do seu relacionamento se deviam as divergências políticas já que ela é obviamente de esquerda e seu ex é o perfeito "machão de direita" que vemos aí pela internet, com discursos agressivos e machistas. Com um passado envolvendo também um vício pesado em drogas que a levou algumas vezes para a rehab, além de um comportamento autodestrutivo, ambos unidos a uma vontade enorme de mudar, sua história foi de longe a que mais me agradou pois me apresentou mais camadas. Apesar de mimada, não chega ao ponto de ser como seu irmão mais velho, o César, portanto é uma personagem mais agradável. 

"Tenho muita dificuldade em correr atrás do que quero e, mais ainda, em alcançar aquilo que quero. Minha história se resume a empurrar as decisões para o dia seguinte."

São personagens imperfeitos e em muitos momentos detestáveis, dos quais os seus sentimentos com relação a eles vão se alternar entre o amor e o ódio. Ao menos foi isso que aconteceu comigo. Em alguns momentos eu adorava algum dos três porém em outros eu tinha vontade de lhes agarrar pelos ombros e sacudir-lhes, para tentar trazê-los de volta para a a realidade. 

"Toda a tragédia que ficou para trás, porém, ainda tinha um propósito bem específico: servir de carta-branca para que eu pudesse me arruinar com total liberdade."

É notável em cada uma das narrativas dos três protagonistas que suas vidas sem limites e regras se deve como uma forma de fugir das suas realidades. Cada um deles quer fugir de algo e encontram formas autodestrutivas de fazer isso. 

"Porque o roteiro é sempre o mesmo: quando elas realmente passam a me conhecer, elas não gostam do que veem."

Eu falei ali em cima sobre personagens dos quais podemos nos identificar porque aqui na obra são levantados muitos pontos que se assemelham a realidade da geração atual. No começo do livro mesmo, o César em sua primeira narrativa já nos fala que seu pai se casou aos vinte e quatro anos e que já aos vinte e oito sustentava facilmente a casa inteira e três filhos, aproveitando para questionar o leitor sobre quais as chances de algo assim acontecer nos dias de hoje, quando cada vez mais é adiado o ato de sair da casa dos pais por motivos financeiros. 

"Como em qualquer tragédia, é provável que fossem feitas apenas as perguntas erradas.

Os três personagens são diferentes e ao mesmo tempo bem parecidos, afinal, vivem no limite com a intenção de aliviarem um pouco das suas cargas emocionais e do vazio que carregam em si. Inclusive esse último, o vazio, é quase que um personagem do romance, presente em todos os momentos mesmo que nunca seja citado. 

"Começo a chorar incontrolavelmente. Não achei que fosse me sentir tão triste quando chegasse o momento. Acreditava que seria inundada de alívio, euforia por enfim estar deixando para trás todos os problemas. Mas agora, olhando para o que tenho, para o que estou prestes a perder, só consigo enxergar beleza."

Disse que o personagem que menos gostei foi o César e a que mais gostei foi a Júlia mas a Lola realmente me deixou no meio termo. Toda "desconstruidona", a DJ questiona muito a sociedade conservadora de hoje e seus tabus. Decidida, de personalidade forte, livre e sem amarras quando o assunto é sexo e sexualidade, ela gosta de manter seus relacionamentos em apenas prazer, sem envolver nada sério. Porém, acho que esse seu jeito desconstruído e livre em alguns momentos a deixou um pouco caricata mas isso foi lá pela metade do livro mesmo, depois essa sensação foi passando e a personagem me agradou um pouco mais, principalmente quando entendemos as suas razões para ter escolhido essa vida louca. Razões compreensíveis, reais e claro, tristes. Essa parte do livro, inclusive, me fez gostar mais ainda dela.   

"Aos olhos dos outros, sou rapidamente classificada como uma 'puta' de marca maior. Qualquer um com meio neurônio, entretanto, sabe o que sou de verdade: uma força da natureza, impossível de ser controlada."

Esse não é um livro leve. Sexo, drogas, rock 'n' roll e outros tabus como sexualidade, política e pornografia estão presentes em toda a obra. Sexo, principalmente, e sem nenhum pudor ou tabu. Este inclusive é narrado de forma explícita, porém como os personagens usam muito do ato como um escape, toda a ação é narrada de forma que você perceba que ali não há sentimentos e que a única intenção do personagem no momento é "gozar" e acabou, tchau. 

"Não há futuro para quem está condenado."

O cenário político brasileiro de 2016 é um pano de fundo caótico para os acontecimentos do livro, sendo citado em alguns momentos rápidos através de outros personagens durante conversas, porém sem muito aprofundamento. 

Outros personagens que aparecem e se mostram interessantes são Bianca, amiga e em alguns momentos amante de Lola, jovem autora de romances eróticos que andam fazendo sucesso em território nacional e Max Califórnia, o único cara que Lola parece não conseguir esquecer.

"O que estou vivendo é uma espécie de prorrogação na qual os deuses estão me dizendo: você já esgotou a sua cota de sofrimento, agora pode se divertir um pouquinho antes que venhamos buscá-la."

O final do livro foi bastante satisfatório para mim. Não deixou pontas soltas, foi um final fechado porém ao mesmo tempo sem um ponto final. Fiquei com vontade de saber o que vem depois do último capítulo, o que aguarda cada um daqueles personagens no futuro. Até mesmo o Max que só apareceu na segunda metade da obra e narrou apenas um capítulo, me deixou curiosa com relação ao que o espera futuramente. Gosto desses finais "fechados" porém que permitem possibilidades. 

"A era do homem acabou: agora é a nossa vez de sermos caçados, e não vejo isso exatamente como um problema."

Outra coisa que gostei bastante foi da playlist do livro. Há muitas referências musicais na obra, principalmente do bom e velho rock 'n' roll, a maioria delas vindas de Lola que é DJ porém os outros personagens não ficam muito para trás, o que deixou todo o livro com uma vibe bem "sexo, drogas e rock 'n' roll" mesmo, o que acho que era a intenção do autor. Em muitos momentos eu me peguei cantarolando algumas das músicas citadas ou li as cenas com a música tocando baixinho em minha mente. 

"Eu queria ser maltratada, precisava desse rancor para justificar, para o público à minha volta, todas as loucas escolhas da minha vida."

É um romance ácido, que provoca, incomoda, critica e em alguns momentos pode chegar a alfinetar o leitor e o cenário brasileiro. Com o vocabulário bem desbocado, muita música, sexo, tabus, drogas e um pouco de política, além dos assuntos atuais que são abordados, Tudo o que poderíamos ter sido é um livro que talvez não vá agradar a todos os leitores visto a sua temática e escrita mais crua porém, para mim, se mostrou uma leitura profunda e repleta de um conteúdo que eu sinceramente não esperava encontrar em suas páginas. Foi uma surpresa realmente positiva, visto que a obra me agradou bastante. Fiquei curiosa para ler outros livros do autor, que espero que sejam tão bons quanto esse. O melhor nacional que li esse ano. 

Foto: Larissa  |  @paragrafocult
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O livro também pode ser adquirido com o autor através de seu instagram @ZekaSixx

Esse livro foi enviado pelo autor mas o blog Parágrafo Cult se coloca no direito de fazer uma resenha sincera e justa, de acordo com a nossa opinião com relação a obra.
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RESENHA | "QUARTO 22" de Juliana Brandão

Editora: Rico | Páginas: 196 | Ano: 2019 | Gênero: Drama

Sinopse: Qual é o limite para conseguir o que deseja?
Para Valentina, isso não existe. Abrir mão da própria identidade, deixar de lado os princípios, abandonar tudo o que conhece, seduzir, mentir e enganar. Qualquer coisa é válida para ela, claro, se os clientes pagarem. Por esse motivo, quando Rodolfo Furtado, um homem rico, ambicioso e desesperado para ser reconhecido dentro da empresa em que trabalha, faz a Valentina uma oferta tentadora, ela aceita sem hesitar. O plano é simples: ele quer que Valentina encontre provas que possam destruir a reputação dos patrões, os Selbach, utilizando o coração de Nicolas, o herdeiro da família. E o que era para ser apenas negócios acaba se tornando muito mais do que isso, porque quando a paixão entra em jogo todos podem se ferir.
Adentre o Quarto 22 e cuidado para não estar entre os perdedores.

Em várias resenhas aqui do blog eu disse o quanto sentia falta de ler algo com um pouco de romance, já que nos últimos anos me coloquei em uma zona de conforto onde estive lendo basicamente os gêneros de fantasia, terror e suspense. Já era para a resenha desse livro ter saído há bastante tempo mas estou na maior bagunça que podem imaginar. Não sei se acontece o mesmo com vocês mas eu não sou do tipo de pessoa que consegue acompanhar aulas online, ainda mais estando sem meu computador e por conta disso, estou mais do que enrolada na faculdade, o que é frustrante. 

Pois bem, a autora Juliana Brandão me procurou há algumas semanas para resenhar seu livro e assim que li a sinopse, prontamente aceitei. Precisava mudar um pouco o meu estilo de leitura. 

Logo de início somos apresentados a Valentina e Rodolfo. Ela é uma acompanhante de luxo na boate Urbano e ele um executivo que transborda ambição, demonstrando que não tem medo de fazer o que é preciso para alcançar os seus objetivos. Valentina não é apenas uma garota bonita e tem seus motivos para trabalhar com o que trabalha e por isso aceita a proposta de Rodolfo: ela deve conquistar o herdeiro da Sublime, Nicolas Selbach. 

Adorei que o livro começa de forma que a gente pensa que vai seguir a mesma linha clichê que muitos outros do gênero, como uma fórmula pré-fabricada mas então aos poucos ele vai seguindo um caminho completamente diferente e isso, além de nos surpreender, deixa aquela vontade de devorar mais e mais a história.

Nenhum personagem dessa história é perfeito. Valentina apesar de aparentar ser forte e fria, é simpática e atrai todos ao seu redor, principalmente Nicolas que desde o primeiro momento já cai nos encantos da moça. Já o Rodolfo, começa a ver ela com outros olhos, o que faz com que ela deixe de ser apenas uma acompanhante de luxo para ele. Não nego que em alguns momentos eu me estressei com o personagem já que ao começar a nutrir sentimentos por Valentina e consequentemente sentir ciúmes dela, ele agiu como um idiota. 

Fiquei com o coração na mão nos momentos entre Nicolas e Valentina, já que tudo não passava de um plano de Rodolfo. Porém ela acaba se apaixonando pelos dois homens que sempre estão por perto mesmo um sendo tão diferente do outro. 

A autora está de parabéns pela forma da qual trabalhou os personagens e o contexto da história em si. As coisas não saíram forçadas e tudo fluiu bem, mesmo nos momentos mais pesados, visto que a vida de Valentina é mais difícil do que parece. Saber como trabalhar personagens e desenvolver um enredo que ao primeiro olhar pode parecer batido E CONSEGUIR fugir do padrão do gênero não é algo fácil e ela tirou de letra. 

Todo o livro é narrado sob o ponto de vista de Valentina e Nicolas em capítulos relativamente curtos, o que nos permite ter uma visão melhor sobre o que se passa na mente de cada um e como cada um deles se sente com os acontecimentos. Rodolfo narra apenas o primeiro e último capítulo do livro. Também podemos conhecer um pouco mais sobre a vida de cada um deles, como por exemplo, o passado difícil da personagem Valentina junto de sua luta para ajudar a mãe e os problemas de Nicolas com o pai controlador. 

E AQUELE FINAL? Olha, sendo sincera, a gente meio que já sabe o que vai acontecer porém ficamos torcendo e esperando algo completamente diferente então mesmo já tendo uma ideia do que aconteceria, fiquei bem surpresa com o desfecho que me deixou querendo mais mas entendo que talvez esse final escolhido pela autora não agrade à todos os leitores, visto que é algo inesperado.

Se o que procura é um romance rápido e bem escrito de leitura fluída que aborda sexo, mentiras, corrupção, política e triângulos amorosos, Quarto 22 é uma boa pedida. Já deixo aqui o meu pedido para a autora por uma continuação. <3

Autora: Juliana Brandão
Instagram: @jubbsbrandao
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Esse livro foi enviado pelo autor mas o blog se coloca no direito de fazer uma resenha justa de acordo com a nossa opinião.
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PERSONAGENS PROBLEMÁTICOS QUE EU AMO

Ultimamente eu tenho percebido algumas coisas com relação aos meus hábitos literários: gosto muito de histórias clássicas e antigas, principalmente com um toque sobrenatural ou que aborde temas mais pesados e que os personagens problemáticos no estilo anti-heróis ou com dilemas morais e etc sempre me atraem mais durante a leitura. 

Atualmente estou lendo o livro O Vampiro Lestat da autora Anne Rice e a cada página me sinto mais e mais apaixonada pelo personagem-título. Sim, esse mesmo que no primeiro livro d'As Crônicas Vampirescas, o Entrevista com o Vampiro (que inclusive eu já resenhei no blog Imersão Literária) nos é mostrado por um ponto de vista em que ele é um louco, um vilão. 

Por conta disso, divagando após a leitura de algumas páginas, me pus a pensar não só sobre o personagem e toda a sua mudança durante o desenvolvimento da série como outros que passam por isso ou que nos são mostrados como incompreendidos e percebi que muitos dos personagens que amo se encaixam nesse quesito. Pois então, trouxe hoje alguns dos meus personagens problemáticos favoritos. Alguns são bem conhecidos, outros nem tanto mas indico a leitura de todos os livros citados. Vou tentar não me empolgar ao falar dos meus "crushes" literários (não consigo me acostumar com esse novo vocabulário adolescente haha) senão o post ficará enorme.

1. Lestat de Lioncourt 
Série: As Crônicas Vampirescas
Autora: Anne Rice
Como já comecei a postagem falando dele, não poderia iniciar a lista sem o próprio. Lestat de Lioncourt é mostrado no livro Entrevista com o Vampiro como um personagem cruel, que gosta da sua vida como vampiro e que atormenta Cláudia e Louis (um personagem depressivo que não suporta o fato de ter que matar para sobreviver). Mas nesse livro, onde vemos toda a história de Lestat, inclusive alguns de seus momentos com Louis, podemos perceber que toda a história tem dois lados e que vai muito além de ser cruel ou gostar de matar. Ele não é um herói, claro. Diria que é algo mais como um anti-herói. Ele é bonito, charmoso, manipulador e em muitos momentos tem uma conduta realmente duvidosa, porém em paralelo a isso, ele é intenso e se doa totalmente quando está apaixonado, alternando entre momentos de maldade e bondade. Vemos isso com o Louis e também com Nicolas, personagem que aparece apenas no segundo livro da série. Ele é, sem dúvidas, um personagem profundo e cheio de camadas das quais os dois filmes adaptados da série (Entrevista com o Vampiro e A Rainha dos Condenados) não conseguiram fazer jus a isso, mesmo a adaptação com o Tom Cruise sendo relativamente fiel e muito boa. Ele adora todo o poder e o fato de ser vampiro e ao mesmo tempo se culpa por gostar disso. É um grande meio termo quando o assunto é decidir se ele é bom ou mal mas mesmo assim, ele consegue te conquistar. Como ele mesmo diz "O mal é apenas um ponto de vista." É impossível falar dele sem exagerar no textão. Resenha que postei no blog Imersão Literária do livro "Entrevista com o Vampiro"..

2. Dorian Gray
Livro: O retrato de Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde 
Li esse livro há anos e até hoje ele segue sendo um dos meus favoritos. Não li muitas obras de Oscar Wilde mas Dorian Gray conseguiu me conquistar de uma forma difícil de explicar. O personagem começa o livro como um jovem belo e inocente que vai se perdendo e se corrompendo, se tornando obcecado com sua beleza e com o que pode conseguir através dela. No livro, resumidamente e sem ser um spoiler já que é um dos fatos mais conhecidos de um livro de mais de 130 anos, Dorian basicamente aprisionou a própria alma em uma pintura sua feita por um amigo que era apaixonado por ele. Tudo em troca de permanecer para sempre como o jovem belo que era, para poder desfrutar de uma vida desregrada de prazer, orgias e corações partidos que deixa para trás. Diria que o grande monstro desse livro em si é o Lorde Henry, que envenena aos poucos a mente do jovem Dorian com sua visão deturpada da sociedade e da vida. Ele foi o criador do monstro Dorian. Quando, com o passar do tempo, a consciência de Dorian Gray e percepção da vida vai se aprofundando e ele começa a notar o fundo poço em que se encontra, o protagonista passa a ter conhecimento dos seus erros incorrigíveis. É um livro atemporal e inesquecível, pesado e com mais um personagem cheio de camadas onde você consegue odiá-lo, amá-lo e sentir pena do mesmo, onde você acompanha toda a sua jornada de amadurecimento e decadência ao perceber que não há como fugir do passado e que a vaidade tem um preço caro. Maravilhoso! 

3. Criatura
Livro: Frankenstein
Autora: Mary Shelley
Imagine como deve ter sido: após um capricho de Victor Frankenstein ao brincar de 'Deus', a criatura grotesca à sua frente finalmente ganhou vida. Porém ao invés de sentir orgulho por alcançar seu objetivo, o homem foge por medo e terror, deixando para trás a sua criação, que sem saber onde está ou o que é, se vê abandonada, sozinha e desprovido de amor. 
Frankenstein é uma obra de ficção-científica com muitas mensagens em suas páginas. O "Monstro" real do livro não é a criatura, pois a mesma ansiava apenas por amor, por ser aceita e compreendida. A Criatura, por conta de sua aparência, é evitada por todos os que o veem mas sua dor é maior por conta do abandono vindo do seu criador. Após passar por muito sofrimento, ela decide que se não pode ter a felicidade, então o seu criador também não a terá e a partir daí, começa a transformar a vida de Victor em um inferno. É um livro onde nem a Criatura e nem seu Criador são vilões e onde também é possível ver o impacto causado na vida da criação. Sentimos sua dor e melancolia porém também entendemos o lado de Victor, mesmo no início tendo sentido raiva do personagem. Uma obra muito profunda porém que aos olhos de muito, se resume apenas ao terror que nem é o gênero da mesma. Resenha do livro aqui.

4. Eric Draven 
Graphic Novel: O Corvo
Autor: James O'Barr
Eric é complexo e ao mesmo tempo bem fácil de entender. Perdeu a sua noiva de uma forma cruel e quer se vingar dos culpados. Mas simultaneamente a isso, durante a leitura, percebemos que ele se sente o maior culpado pelo triste acontecimento que presenciou. Queria ter conseguido salvar sua amada, ter feito algo, defendido a mulher que amava. Toda a dor que ele causa não chega perto da sensação que carrega consigo. Porém mesmo que seja na maioria das vezes mostrado como um personagem cruel, vemos que Eric não é assim nos poucos momentos em que conversa com uma garotinha que lhe lembra a sua amada. É um dos personagens mais tristes e melancólicos que já conheci em minha vida de leitora e por isso se tornou um dos mais inesquecíveis. A graphic novel não é sobre vingança e sim sobre perdão, sobre se libertar da culpa. Indico demais! Tem resenha aqui no blog.

Eu poderia citar muitos outros personagens problemáticos que têm um lugar no meu coração, como a Victoria McQueen de Nosferatu ou a vampira Claudia de Entevista com o Vampiro mas essa segunda merece um post todo sobre ela, já que é muito mais profunda do que caberia em um simples parágrafo. 

Gostaram do post ou querem uma parte 2? Conheciam os personagens ou querem resenha de "O Retrato de Dorian Gray" ou de "O Vampiro Lestat"? ME CONTA!
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RESENHA | "DRÁCULA" de Bram Stoker

Foto: Larissa | @Paragrafocult
Editora: Pandorga | Páginas: 432 | Ano: 2019 | Gênero: Terror, Horror, Ficção

Sinopse: Drácula é uma história de vampiros e lobisomens; de criaturas que estando mortas permanecem vivas. É também uma história de pessoas corajosas que se lançam a escuridão de uma insólita e maléfica ameaça. Como quer que seja, permanece intacta nestas páginas a mesma emoção de milhões de leitores que penetraram na história que se inicia em um castelo desolado nas sombrias florestas da Transilvânia. Baseado em um folclore local e em um personagem real (Vlad, O Empalador), redigiu-se um relato que tem assombrado gerações consecutivas de leitores, transformando-se em um mito adaptado para o cinema, quadrinhos e TV, talvez o mais significativo dos últimos dois séculos. Na história, um jovem inglês é mantido em cativeiro, a espera de um destino terrível. Longe dele, sua noiva bela e jovem é atacada por uma doença misteriosa que parece extrair o sangue de suas veias. Por trás de tudo, a força sinistra que ameaça suas vidas: Conde Drácula, o vampiro vindo do fundo dos séculos. 

Vocês não fazem ideia do quanto queria ler esse livro nos últimos dois anos. Sério. O filme Drácula do diretor Francis Ford Coppola de 1992 é um dos meus filmes preferidos e por conta desse fato, o personagem Drácula sempre foi presente na minha vida. Morria de amores por sua devoção e paixão por Mina, sua amada que finalmente voltara, agora como noiva de Jonathan Harker. Tudo isso, unido ao visual maravilhoso da adaptação me deixavam suspirando.

"Naquele momento, uma pesada nuvem obscureceu a face da lua, e as trevas voltaram a reinar."

Todo esse amor do personagem pela amada que atravessou anos e mais anos, sem contar com a minha queda por personagens mais sombrios e incompreendidos, como a Criatura de Victor Frankenstein, por exemplo, me deixavam ainda mais curiosa por essa leitura. Por conta disso, busquei loucamente esse livro pelas livrarias físicas da cidade. Não sei por qual motivo mas comprar livros online nunca foi algo que eu gostasse, sempre deixei para último caso mesmo. Então quando achei esse exemplar lindo da Editora Pandorga na Saraiva do Shopping Vitória e meu irmão me presenteou com a mesma, morri de amores e prontamente já comecei a ler. 

"Entre por livre e espontânea vontade. Saia são e salvo e deixe aqui um pouco da felicidade que traz."

Não nego que de início, levei um certo choque. O livro é todo narrado através de cartas dos personagens e mesmo sendo uma obra antiga, a história não é nem um pouco cansativa ou de difícil compreensão. Pelo contrário, é bem fácil de se ler. Aqui, mesmo Drácula sendo o personagem principal e que dá nome ao livro, ele mesmo não aparece tanto na história, até porque, o foco maior é em Mina e um grupo de homens que está atrás do monstro que veio da Transilvânia para Londres. 

"Não estou procurando alegria. Não sou mais um jovem e meu coração, depois de adaptado a morte por tantos anos, não está mais acostumado à juventude."

A história se inicia com Jonathan Harker, um jovem de futuro promissor que viaja para a Transilvânia a fim de auxiliar um velho Conde na sua compra de algumas propriedades na velha Londres. O que Jonathan não sabia, era que essa viagem mudaria a sua vida para sempre. Em seu caminho para o castelo do Conde, percebe que as pessoas da cidade parecem temer pela sua vida, demonstram medo e terror quando descobrem para onde está indo. Ao chegar no tal castelo do Drácula, Jonathan se vê preso e percebe que as chances de sair vivo dali são mínimas. Era agora um prisioneiro daquele Conde que parecia rejuvenescer conforme os dias passavam, que não tinha reflexo, não comia e que aparecia apenas durante a noite.

"Embora a solidariedade não possa alterar os fatos, pode fazer com que se tornem mais suportáveis."

Por gostar muito da adaptação dos anos 90, foi muito difícil não acabar comparando ambas e por isso, não nego que me decepcionei um pouco. Fiquei curiosa sobre o passado do Conde Drácula, quais eram as  suas intenções e senti um pouco de falta do protagonismo do personagem-título - que aparece mais no começo do livro -, as reais intenções por trás de sua repentina decisão de se mudar para Londres ou os motivos dos quais resolveu ferir os que estavam próximos de Mina e Jonathan, até mesmo a forma que Jonathan conseguiu fugir das garras do Conde, tudo isso acabou de fora por conta da narrativa da obra. 

"E ainda existem pessoas tão desavisadas que pensam que os loucos não raciocinam."

A verdadeira protagonista da história aqui é Mina, que além de não ter nenhuma ligação amorosa com Drácula - ao contrário da maioria das adaptações que vi -, é o ponto central e essencial na hora das buscas atrás do cruel vampiro. Na obra, Van Hellsing é apenas um homem muito inteligente que já não é mais tão jovem, que se apega fácil e tenta ajudar ao máximo os que ama. 

Como leio muitas obras do gênero, o vampiro Lestat de Lioncourt das Crônicas Vampirescas da autora Anne Rice segue sendo o meu vampiro preferido do mundo literário, porém apesar de eu esperar mais do livro do grande Conde Drácula, acredito que tenha me decepcionado porque fui esperando algo totalmente diferente do que me foi apresentado, onde Drácula é apenas maldade, sem sentimentos ou motivos para deixar um rastro de sangue por onde passa, o que acho que era a intenção do autor ao escrever a obra. Para quem não é tão apegado as adaptações para tv, o livro vai ser uma leitura boa, não ótima. Principalmente se respeitarmos a época em que foi escrito, onde as mulheres eram vistas como frágeis e homens sendo os heróis. Tendo isso em mente, a leitura não incomoda. 

"Convenci-me de que era possível prolongar indefinidamente a vida consumindo uma multidão de seres vivos, por mais baixos que fossem na escala da criação."

É uma obra que precisa ser lida de forma que não se baseie em nenhuma adaptação e com calma, por ser um livro bem parado, focado mais em um grupo de pessoas montando um quebra-cabeças atrás do vampiro a fim de parar as suas maldades e seu legado de terror. A melhor parte do livro, é sem dúvidas a sua primeira metade, onde Jonathan ainda está confinado no castelo. Ali, Drácula aparece bem mais e é possível de o leitor se aproximar e conhecer um pouco melhor do vampiro, sem contar que ir percebendo o perigo do lugar junto com Jonathan é maravilhoso. Quando Drácula chega em Londres, passa a ser visto "à distância" por outras pessoas enquanto especulam e planejam sua captura e por isso a segunda metade do livro me decepcionou um pouco.

Quanto ao trabalho da Editora Pandorga para com a obra, a capa dura fosca em tom vinho, com o morcego amarelo-dourado envernizado na frente é a coisa mais linda que infelizmente as minhas fotos não fizeram jus ao capricho da mesma. A lateral das páginas são de um vermelho vivo e a fonte é de um tamanho bom, porém não tenho problema com letras pequenas também então pode ser que outras pessoas se incomodem com o tamanho mas na minha opinião a fonte estava de um tamanho bem ok. Quanto a erros ortográficos, não vi nenhum porém em alguns trechos, algumas palavras estavam sem espaçamento. Foram poucos os casos, apenas umas três vezes durante a leitura, nada que tenha me incomodado muito porém careceu de tal revisão e cuidado. 
Foto: Larissa | @Paragrafocult
Um fato engraçado, para finalizar a resenha, foi que eu estava lendo o livro no intervalo do meu trabalho antes dessa loucura de quarentena e me chamaram para ir à igreja junto de alguns dos professores (trabalho em uma escola como estagiária) já que eu estava lendo a bíblia na minha hora de lanche. Fui muito elogiada pelas senhorinhas da limpeza e por conta disso, fiquei sem graça de corrigir as mesmas dizendo que na verdade era um livro de terror e não uma Bíblia, afinal, elas estavam tão orgulhosas de mim. rsrsrs
Enfim, já leram a obra? Tiveram as mesmas impressões que eu?
Foto: Larissa | @Paragrafocult
Ah, não aguento mais ficar de quarentena! Paguei quase 40 conto em MEIO LITRO de álcool em gel essa semana. Meu bolso dói, porém moro no segundo andar da casa dos meus avós de quase 90 anos então não posso me descuidar. Enfim, respeitem a quarentena e aproveitem esse tempo para lerem bons livros e distrair a mente. Cuidem dos velhinhos e dos pequenos, lavem bem as mãos e fiquem bem. 
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