Foto: Acervo Pessoal | @paragrafocult

Páginas: 258
Autora: Sammon
Editora: BLB - Boys Love Brasil
Ano: 2024
Tradução: Joy Assis
Gênero: Romance Policial, Suspense, Mistério, LGBTQIAP+, Literatura Tailandesa
Classificação Indicativa: +15


"Minha coragem para fazer o que era certo muitas vezes era mais poderosa que o medo."


Dois anos após o final do primeiro livro, o doutor Bunn e seu namorado Tann estão vivendo uma vida feliz e pacífica como casal. Bunn agora é um professor universitário em Bangkok e Tann largou definitivamente a sua vida como gângster e agora é apenas um professor de reforço e dono de uma escola preparatória. Porém, a vida pacata do casal não dura muito tempo, já que corpos com apenas um rim começam a aparecer mesmo com as causas de suas mortes sendo diferentes. É óbvio que um médico tão curioso como Bunn não deixaria isso passar. Principalmente quando seu colega de trabalho, Nares, é assassinado sem uma razão aparente e seus instintos parecem gritar que há uma ligação entre sua morte e o fato de Nares parecer estar suspeitando de alguma conexão entre os cadáveres com um só rim.  


"Mesmo diante das incertezas da vida, saiba que não importa o que aconteça eu estarei ao seu lado, serei seu apoio, seu guarda-costas, serei qualquer coisa que você quiser."


Sem conseguir frear seus instintos, o doutor Bunnakit começa sua investigação pessoal para descobrir qual é a conexão entre esses corpos e acaba se vendo dentro de uma rede de tráfico de órgãos que está indo atrás de seus doadores para ceifar suas vidas, como uma 'queima de arquivo'. Quando Bunn é sequestrado por pessoas desesperadas pela ajuda do médico, as descobertas se tornam ainda mais assustadoras. 

Gosto muito da narrativa da Sammon, sendo rápida e direta ao mesmo tempo que profunda quando narra os pensamentos e sentimentos dos personagens, algo com pouca enrolação. Novamente a Sammon usou de seu conhecimento profissional (a autora é médica) para descrever procedimentos e cenas, conseguindo não ser prolixa ou entediantemente técnica demais em sua escrita, o que é bem bacana para leitores leigos como eu. É bem interessante a forma como os fatos se conectam. Também é divertido perceber como os personagens mantiveram suas personalidades mesmo após dois anos. Bunnakit continua tendo o ego enorme e sendo egoísta, agindo sem pensar quando o assunto é tentar solucionar o tal mistério, o que por tabela acaba envolvendo todos ao seu redor. Já Tann, agora que está livre da vida de criminoso, só quer viver em paz e montar uma família, o que parece difícil já que seu parceiro é Bunn.


"Nunca acreditei na resolução de problemas através de um sistema de justiça simples, simplesmente porque ele não existe. Eu sei e entendo isso melhor do que ninguém. Mergulhar na escuridão é a solução com a qual me sinto mais à vontade. O meu eu do passado poderia fazer muito mais do que isso. Mas me coloquei em segundo plano. Agora, sou apenas uma sombra do que fui: a criança morreu dentro de mim."


Admito que a leitura do primeiro livro, Manner Of Death me prendeu muito mais do que a de Transplante. Faltou algo aqui para me deixar ansiosa pelo desfecho. Achei a trama mais lenta e menos instigante do que a do primeiro livro, alguns eventos bem convenientes, personagens um pouco confusos e perdidos na história, o que é uma pena. O enredo anterior tinha mais personagens, era mais instigante e foi bem mais difícil de prever do que este, o que foi decepcionante. Mas gostei de saber mais sobre como estava o relacionamento de Bunn e Tann, como suas vidas seguiram nesses dois anos juntos e, claro, saber mais do casal secundário Thad e Sorn. 

Transplante é um bom livro para ler em um fim de tarde mas sem muita expectativa, algo que é difícil de fazer se comparado ao primeiro. Porém, admito que se a autora lançasse uma parte 3, eu com certeza iria atrás para ler. A Sammon costuma fazer tramas que levam o leitor a pensar bastante para resolver sem queimar os neurônios no processo, o que me faz gostar e ter um certo carinho pelas suas obras. Gosto principalmente de ler seus escritos quando estou de ressaca literária. Pode parecer estranho mas acho "leve", sabe? 

Foto: Acervo Pessoal | @paragrafocult


Outro ponto que vale citar é a edição da Editora BLB. A minha edição de Manner Of Death da resenha aqui do blog foi a primeira que lançaram, com letras menores e capa mais "amadora". Há algum tempo eles relançaram a obra com uma capa nova e letras maiores, o que foi um alívio para meus olhos durante a leitura. As ilustrações ficaram bem bonitas, mais parecidas com as de novels asiáticas e também mais bem feitas. Fiquei muito feliz de ver todo o capricho e carinho que tiveram com a obra. Meu único "porém" se deve a revisão, visto que a obra está com alguns pequenos erros que poderiam ser facilmente evitados se uma revisão mais cuidadosa tivesse sido feita. Nada que atrapalhe a experiência ou incomode em si mas que são notados durante a leitura. 

Já leram alguma obra asiátia? Gostam de livros de mistério e suspense?