RESENHA | "A AUTOESTRADA" de Stephen King - Parágrafo Cult

RESENHA | "A AUTOESTRADA" de Stephen King

Publicado em quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Editora: Suma  |  Páginas: 304  |  Ano: 2009  |  Gênero: Suspense, Ficção


Fazia um bom tempo que eu não trazia uma resenha do King para cá, né? Estava bem mais ativa no insta do blog mas agora eu finalmente estou com o meu pc de volta e por isso conseguirei ser um pouco mais presente. Enfim, vamos para a resenha.

" - É Charlie, não é, George? Você não quer enterrá-lo uma segunda vez."

Eu já esperava algo pesado assim que li o nome "Richard Bachman" na capa. Para quem não sabe, esse era um pseudônimo do Stephen King e sob esse nome, o autor escreveu livros que na minha opinião, apesar de manterem a sua qualidade de escrita, conseguem ser mais pesados. É como se King não se importasse muito em trazer uma mensagem positiva ou um final feliz para suas histórias quando está escrevendo como Bachman. Ele passa uma mensagem dolorosamente realista, pesada e muitas vezes até pessimista. Por conta disso eu já estava esperando uma obra e um final que fosse um belo tapa na cara.

"A gente se pergunta sobre coisas, pensou ele, que jamais, sob hipótese alguma, gostaria de saber. E por que diabos a gente faz isso?"

Bart Dawes é um cara que está com a vida de cabeça para baixo: seu único filho morrera três anos antes por conta de um tumor cerebral inoperável, seu casamento parece já não ter mais salvação já que desde a morte do filho, ele e a esposa se afastaram muito por conta de terem lidado com a perda de formas diferentes e para piorar, tanto a lavanderia em que trabalha e gerencia há vinte anos quanto a sua casa (local que guarda as melhores memórias da sua vida de quando o filho ainda estava vivo e seu casamento era feliz) estão para serem demolidos para a construção de uma autoestrada que passará pelo local onde ambos se encontram. 

" - Você é maluco ou extraordinário - disse ela.

 - As pessoas só são extraordinárias nos livros - disse ele."

Todo o livro tem uma atmosfera pesada. Desde as primeiras páginas já nos é mostrado que o psicológico do protagonista não está na sua melhor fase e que o próprio já começou a tomar algumas decisões precipitadas. Vale lembrar que o livro se passa no ano de 1973, então a Guerra do Vietnã está acontecendo e por isso o governo está tentando "fazer o progresso acontecer" mesmo que isso não agrade a todos os envolvidos, como é o caso de Bart. 

" A realidade era triste, mas não assustadora de fato."

Em vários momentos ele divaga sobre sua vida antes, sobre como seu casamento era diferente e cheio de paixão, seu relacionamento muito próximo com o filho e a importância da casa para ele. A forma como ele e Mary, sua esposa, lidaram com a perda do filho foi muito diferente e por isso eles se afastaram tanto. Bart não soube aceitar a perda de seu pequeno tão "facilmente" mesmo que ele quisesse. Ele se mostra extremamente apegado as suas memórias e é isso que acaba o deixando da forma em que se encontra, é isso que ajuda a fazer com que perca sua estabilidade mental, ele sente que deixar a casa ser destruída é como enterrar o filho novamente e não pode lidar com isso de novo.

"Você é como um livro que eu não acabei de ler. Quero saber um pouco mais como ele continua."

Quando li um outro livro de King como Bachman, "A Maldição" (que tem resenha aqui no blog também), eu não consegui me sentir tão apegada ao personagem protagonista porque naquela obra, Bill Halleck tinha uma moral bem duvidosa sendo um advogado que fechava os olhos para muitas coisas e que era ajudado por seus amigos de alto cargo apenas por ser quem é. Mas aqui em "A autoestrada", Bart era um cara comum e você consegue se identificar, de certa forma. Apesar das suas escolhas erradas, Bart se mostra muitas vezes uma preocupação com as pessoas que estão em sua vida e até tenta ajudá-las.

" - Talvez seja isso  - falou ele. - Não tem importância. De uma maneira ou de outra, as coisas já estão decididas e vão acontecer do jeito programado. Só tem uma coisa que me incomoda; uma sensação que tenho às vezes de que sou um personagem num livro de algum escritor ruim e ele já decidiu como as coisas vão acontecer e por quê. É até mais fácil ver as coisas dessa maneira do que culpar Deus: o que Ele fez por mim, de qualquer forma? Não, a culpa é deste escritor ruim."

Mesmo que ao menos para mim, o final do livro estivesse bem óbvio desde o início ao ponto de o desfecho acabar sendo inevitável, King soube trabalhar o suspense da obra muito bem. A decadência mental de Bart, as consequências de suas escolhas, as perdas que vai sofrendo uma atrás da outra e como tudo se desenrola para o final de tirar o fôlego me deixaram totalmente presa na obra. O final, como eu já imaginava, foi sim um tapa na cara e mesmo sendo um desfecho pesado, foi perfeito. Não consigo imaginar um final diferente.

"Todos os lugares são iguais, a não ser que sua cabeça mude. Não existe nenhum lugar mágico para ajeitar sua cabeça. Se você estiver se sentindo um merda, tudo que olhar vai parecer uma merda. Tenho certeza disso."

Não acho que seja um bom livro para quem quer se aventurar e conhecer a escrita de King mas não deixa de ser uma obra maravilhosa que na minha opinião não deveria ser tão subestimada. Já leram esse ou algum outro livro de King como Richard Bachman?

"Ele havia explorado a si mesmo e, ainda que muitas vezes as coisas encontradas fossem banais, às vezes elas também eram assustadoramente belas. "

15 comentários:

  1. Oi, Larissa como vai? Este livro do Stephen eu ainda não li. Presumo ser uma boa leitura, embora certamente esta obra não esteja entre os melhores livros do mestre. A capa dele é bastante atrativa aos meus olhos. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Oi Larissa,
    Não conhecia esse livro do King! Acho que nem tenho ideia de quantos livros esse homem escreveu na vida e continua escrevendo, né?
    E como não estou acostumada com a escrita dele, vou seguir seu conselho e não começo por este, rs.
    beijo
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  3. Ainda não li nenhum livro do SK como seu auterego, e apesar de eu ser bem tranquila em relação a temas pesados, me parece que antes de tentar ler esse livro eu vou ter que preparar meu psicológico, haha. Que bom que o final foi satisfatório, pois os livros do autor são conhecidos por não terem bons finais.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

    Ps. Obrigada pelo elogio ao novo layout do blog <3

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  4. Oi
    nunca li um livro do King, já que não fazem muito estilo, nem sabia que ele escrevia utilizando outro nome, que bom que gostou da obra.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  5. Olá
    Nunca li nenhum livro do King acredita mas cada vez mais estou com vontade de começar algum. Pode deixar que não começarei por esse, mas adorei sua resenha.

    Beijinhos
    https://focadasnoslivros.blogspot.com/

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  6. Oi, Larissa. Interessante como Stephen King conseguiu uma equipe para suas obras e ela se mantém fiel há anos e anos.

    Lendo as obras do filho, vejo nos créditos de agradecimento (que ele mesmo faz) um pouco desse processo de criação e a lapidação das obras dele em relação às mesmas pessoas envolvidas nas obras de seu pai. É uma indústria, sem dúvida.

    Obrigado por compartilhar essa obra. Quem sabe eu a leia um dia. Venho tendo muitas opções. Já li duas obras seguidas de Joe Hill, então partirei para outros autores antes de escolher outro título dessa equipe.

    Falarei sobre A Estrada da Noite. Já era para ter postado, mas ainda não deu certo.

    Um abraço. Tudo de bom.

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  7. Oi, Larissa. Tudo bem?
    Eu já li vários livros do King, mas nenhum do seu pseudônimo e com suas resenhas dizendo sobre leituras mais pesadas estou ficando cada vez mais curiosa.

    Beijos, Vanessa
    Leia Pop

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  8. Oi Lari, tudo bem?
    Curiosamente o único livro do King que eu li é bem poético e bonito, À Espera de um Milagre. Quando tentei ler uma obra de terror do autor (um livro de contos), não me fisgou. :( Mas gostei muito de ler sua resenha, senti a atmosfera da história e o peso nos ombros do protagonista.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  9. Infelizmente esse livro ainda não li dele, mas no momento estou lendo sua biografia e fiquei bastante curiosa quando esse livro é citado, principalmente por ser um dos primeiros romances do autor.

     kzmirobooks.com

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  10. Eu tô com uns livros do King para ler, Salém será minha próxima leitura. Nunca li nenhum livro dele, toda resenha que vejo me deixa mais ansiosa para entrar nesse universo que ele cria.

    Beijnhos
    Renata

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  11. Me parece bem pesado para o que eu estou acostumada a ler, mas gosto de me aventurar na leitura, fiquei curiosa para saber o defecho.
    Charme-se

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  12. Olá, Larissa

    Nem sabia que o King tinha esse pseudônimo e nem conhecia esse livro dele. Que bom que esse personagem funcionou melhor com você do que o outro escrito por esse pseudônimo. Eu curto leituras pesadas, mas ainda estou cansada do texto prolixo do King desde a leitura de It, não sei quando lerei outro livro dele. Kkkkkk

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  13. Esse não é um livro que leria por acaso, mas não descarto a ideia de pegar algum dia para ler por pura curiosidade. O enredo e o desenvolvimento parecem bem drásticos, o que não me anima tanto kk.

    Abraço

    Imersão Literária

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  14. Oi, Larissa!

    A história parece ser bem impactante e triste em muitos aspectos, mas gosto bastante quando é possível se identificar com os personagens, cria uma proximidade maior com a narrativa.
    Não conhecia o livro, mas fiquei curiosa para ler.

    Beijocas.
    https://artesaliteraria.blogspot.com/

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  15. Adorei a resenha! Nunca li nada do King, aos poucos estou entrando em histórias mais pesadas e talvez logo me sinta pronta pra uma leitura desse grande autor! Parece ser uma obra muito envolvente, gostei bastante mas seguirei o seu conselho de não escolher esse livro como a primeira leitura do autor! <3
    Beijoss, Blog Seja Agridoce ♥️♥️♥️

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