Sinopse: Certa noite, um menino um tanto quanto diferente e especial chamado Peter Pan, convida Wendy Darling e seus irmãos para voar, com a ajuda da ciumenta fada Sininho, em direção à Terra do Nunca, uma ilha mágica habitada pelos Meninos Perdidos que não querem crescer. Wendy e os irmãos chegam aquele local distante e descobrem um universo de seres maravilhosos. Porém, Peter Pan tem um inimigo - o terrível Capitão Gancho, comandante de um grupo de piratas em seu temido e sombrio navio, que tentará acabar com a felicidade de Peter e seus amigos.

Resolvi trazer a resenha desse livro que li pela primeira vez há muitos anos mas que marcou a minha memória de tal forma como se fosse ontem. Sempre tive uma paixão pela leitura. Ela conseguia me transportar para diversos mundos e isso me fascinava, mas foi com Peter Pan que essa paixão realmente criou raízes. 
Tenho a minha edição até hoje, com as bordas gastas de tanto ler e carregar comigo. A memória ainda viva das várias aventuras lidas sobre a Terra do Nunca. 

"Pensamentos felizes fazem a gente voar."

Vou ser sincera de que apesar do amor pela obra, nunca assisti ao desenho famoso da Disney, apenas a adaptação de 2003 em live-action e essa consegue ser bem fiel ao livro, apesar de não totalmente. 
A narrativa do livro é bem diferente de tudo que já li. Antes me causava um estranhamento maior já que o li bem nova porém hoje consigo enxergar esse estilo como algo a mais. O autor narra de uma forma lúdica e bonita, fantasiosa. 

"Wendy, qualquer menina vale mais do que dez meninos."

Um exemplo disso são as cenas onde a Senhora Darling que durante as noites vasculha a mente dos filhos para retirar os pensamentos ruins que podem ter aparecido por ali durante os dias, ou o beijo escondido de Wendy, ali, escondido no canto direito de seus lábios. Minha parte preferida é sobre o nascimento das fadas, já que elas nascem do primeiro riso de um bebê. 

"Sabe, Wendy, quando o primeiro bebê riu pela primeira vez, o riso dele quebrou em milhares de pedaços e todos eles saíram pulando, e esse foi o começo das fadas."

J.M. Barrie conseguiu depositar muita doçura em sua narrativa, criando na história uma aura mágica. 
Peter Pan não é uma criança boazinha. Ele é travesso, mimado e egoísta. Sendo o líder dos meninos perdidos, tudo deve ser feito da forma que ele quer. Assim como o próprio Capitão Gancho, que traz questionamentos ao falar sobre si. Os dois personagens são bem ambíguos, não sendo exatamente 'bom e mau'. Afinal, Peter é um líder duro e instável. Chegando ao ponto de "se livrar" dos meninos perdidos que acabam crescendo ou o contradizendo. Entre muitas outras coisas. 

Você conhece aquele lugar entre o dormir e o acordar, o lugar onde você ainda pode lembrar de sonhar? É onde eu sempre te amarei. É onde eu estarei esperando.

Uma das diferenças que notei ao ler esse livro depois de adulta é como a história muda. Há muitas metáforas que antes passavam despercebidas e que hoje só abrilhantam ainda mais a história. Uma mensagem para adultos escondido ali, no que deveria ser uma história doce e infantil.
Já com relação aos pequenos Darling, Wendy vira a "mãe" dos meninos perdidos por ser a única menina ali, que não parece se importar em carregar tal título, contando histórias e ajudando no esconderijo. Ao menos até ela perceber que está se esquecendo dos seus pais, desejando voltar para sua casa. Ela muitas vezes é uma voz da razão no meio de tantos meninos.

Na segunda estrela a direita. Depois em frente até o amanhecer.

Por muito tempo eu criei uma certa obsessão pelo personagem e me lembro de ler muito sobre o autor, que se inspirou não apenas em seu pequeno irmão que morrera quando criança, como em um pequeno garotinho chamado Peter, filho de uma mãe solteira que conhecera e o inspirou profundamente. Um pouco dessa história é contada no filme Em Busca da Terra do Nunca. Fica a indicação aí. 
Mas não pense mal de Peter Pan. Ele é uma criança em muitos sentidos. Dotado de muita inteligência e inocência, sem nenhuma preocupação, ele só quer se divertir, não importa o que custe. O que é basicamente o que uma criança faz.

"As estrelas são bonitas mas não podem tomar parte ativa seja no que for, devem limitar-se apenas a olhar. É um castigo por qualquer coisa que fizeram a muito tempo, e de que nenhuma delas se lembra."

Essa é uma leitura que levo para a vida. Não importa a idade que você tenha, a mensagem que se quis passar no livro vai ser bem recebida. Talvez algumas pessoas não gostem da narrativa por ser mais lenta que a do filme que o tornou mais popular mas é super válido dar uma chance para a leitura. Você termina o livro com uma visão diferente até mesmo do Gancho.
É o meu livro de cabeceira da vida. Minha primeira indicação para todos. Não tem idade mínima para se aventurar pelas páginas da Terra do Nunca.

Nota: ★