RESENHA | "TUDO O QUE PODERÍAMOS TER SIDO" de Zeka Sixx

em sexta-feira, 22 de maio de 2020

Foto: Larissa  |  @paragrafocult
Editora: Coralina | Páginas: 216 | Ano: 2020 | Gênero: Nacional, Jovem Adulto

Sinopse: Porto Alegre, abril de 2016. Em meio aos dias tensos que sucederam À votação do impeachment, três jovens sem planos para o futuro - ou mesmo para o presente - se apaixonam e desapaixonam, enquanto flertam com outras tentações e procuram, sem muito esforço, entender se a manjada tríade sexo, drogas e rock-and-roll ainda é a única resposta para o vazio e a desesperança. Lola domina a noite da cidade como uma rainha, entornando toneladas de drinques enquanto digere uma paixonite por um cara que não lhe dá notícias. César tenta se adequar aos novos tempos, que ele não quer realmente compreender, pois deseja, no fundo, que tudo seja simples como antes. Júlia quer se reinventar, após se ver forçada a terminar um relacionamento por divergências políticas. Tudo o que poderíamos ter sido é a fotografia de uma geração já nem tão jovem assim, cujo maior pesadelo é simplesmente amadurecer.


Sempre gostei muito de livros que abordam temas mais reais, com personagens imperfeitos onde posso me identificar com seus problemas, dramas e gostos. Acho que obras (não falo apenas de livros) que nos apresentam personagens realistas acabam me conquistando bem mais do que aquelas onde seus protagonistas parecem ter sido moldados em um formato padrão de aparência e personalidade, como se tivessem sido feitos para agradar e se aproximarem da perfeição. Personagens assim me deixam um pouco entediada e não me conquistam, acabo achando tudo previsível demais. Sem contar que quando a realidade dele é parecida com a minha, consigo me sentir dentro da história e consequentemente, aproveito melhor da leitura. 

"A decadência de uma sociedade, por mais paradoxal que pareça, fica escancarada quando se troca o sexo e a libertinagem por fanatismo religioso."

Esse livro é diferente dos outros que costumo ler. Uma obra mais adulta, repleta de um vocabulário mais desbocado e com cenários e personagens realistas. Narrado por três personagens em capítulos alternados (apenas um capítulo lá para o fim do livro que é narrado por um quarto personagem), a obra se passa em Porto Alegre, no ano de 2016. A política brasileira está em polvorosa com o possível impeachment da presidente Dilma e no meio dessa zona que tem se dividido entre esquerda e direita, repleto de "Fora, Dilma!" e etc, temos os três personagens principais do livro. 

"Sem dúvida, o significado de liberdade foi alterado pela época economicamente difícil em que vivemos."

Os anos dourados da juventude onde tudo parecia ser mais fácil estão cada vez mais distantes porém eles não parecem querer desapegar, desatar o nó dessa época fácil para assim aceitar a vida adulta junto de toda a bagagem de responsabilidade que vem junto dela. Lola é uma DJ de trinta e dois anos que tem total consciência de que grande parte do que possui é fruto de sua aparência, já que é muito atraente. O seu estilo rock 'n' roll não se limita apenas a sua aparência, afinal, ela não coloca limites quando quer aproveitar, seja com relação a bebida quanto ao sexo. Quer aproveitar a vida e viver o momento, sem pensar muito no que a aguarda no futuro, já que acha que não viverá tanto assim.

"A velhice é uma cadela traiçoeira e impiedosa. O tempo destrói tudo."

César é um cara com seus trinta e poucos anos porém com uma mentalidade e estilo de vida de um adolescente. Vindo de uma família rica, só se formou na faculdade por conta de pressão familiar e por causa disso, está preso em um emprego que odeia. Sua forma de pensar me incomodou em muitos momentos. Ele quer apenas curtir como fazia quando jovem. Transar com muitas mulheres, viajar e ser bancado pelos pais sem ter que fazer muito esforço. Inclusive, essa sua fixação por sexo o fazia tecer comentários bem ridículos sobre as mulheres quando as analisava fisicamente, tentando ver se conseguiria algo com elas. 

"Às vezes, simplesmente escolhemos ser burros, estúpidos, e não há nada que possa ser feito. Viva o livre-arbítrio!"

Já a Júlia, irmã mais nova de César, foi a personagem que mais gostei. Acabara de sair de um relacionamento bem ruim e começa o livro querendo mudar, começar uma vida nova depois de anos de um namoro que não lhe acrescentou em nada. Um dos motivos para o fim do seu relacionamento se deviam as divergências políticas já que ela é obviamente de esquerda e seu ex é o perfeito "machão de direita" que vemos aí pela internet, com discursos agressivos e machistas. Com um passado envolvendo também um vício pesado em drogas que a levou algumas vezes para a rehab, além de um comportamento autodestrutivo, ambos unidos a uma vontade enorme de mudar, sua história foi de longe a que mais me agradou pois me apresentou mais camadas. Apesar de mimada, não chega ao ponto de ser como seu irmão mais velho, o César, portanto é uma personagem mais agradável. 

"Tenho muita dificuldade em correr atrás do que quero e, mais ainda, em alcançar aquilo que quero. Minha história se resume a empurrar as decisões para o dia seguinte."

São personagens imperfeitos e em muitos momentos detestáveis, dos quais os seus sentimentos com relação a eles vão se alternar entre o amor e o ódio. Ao menos foi isso que aconteceu comigo. Em alguns momentos eu adorava algum dos três porém em outros eu tinha vontade de lhes agarrar pelos ombros e sacudir-lhes, para tentar trazê-los de volta para a a realidade. 

"Toda a tragédia que ficou para trás, porém, ainda tinha um propósito bem específico: servir de carta-branca para que eu pudesse me arruinar com total liberdade."

É notável em cada uma das narrativas dos três protagonistas que suas vidas sem limites e regras se deve como uma forma de fugir das suas realidades. Cada um deles quer fugir de algo e encontram formas autodestrutivas de fazer isso. 

"Porque o roteiro é sempre o mesmo: quando elas realmente passam a me conhecer, elas não gostam do que veem."

Eu falei ali em cima sobre personagens dos quais podemos nos identificar porque aqui na obra são levantados muitos pontos que se assemelham a realidade da geração atual. No começo do livro mesmo, o César em sua primeira narrativa já nos fala que seu pai se casou aos vinte e quatro anos e que já aos vinte e oito sustentava facilmente a casa inteira e três filhos, aproveitando para questionar o leitor sobre quais as chances de algo assim acontecer nos dias de hoje, quando cada vez mais é adiado o ato de sair da casa dos pais por motivos financeiros. 

"Como em qualquer tragédia, é provável que fossem feitas apenas as perguntas erradas.

Os três personagens são diferentes e ao mesmo tempo bem parecidos, afinal, vivem no limite com a intenção de aliviarem um pouco das suas cargas emocionais e do vazio que carregam em si. Inclusive esse último, o vazio, é quase que um personagem do romance, presente em todos os momentos mesmo que nunca seja citado. 

"Começo a chorar incontrolavelmente. Não achei que fosse me sentir tão triste quando chegasse o momento. Acreditava que seria inundada de alívio, euforia por enfim estar deixando para trás todos os problemas. Mas agora, olhando para o que tenho, para o que estou prestes a perder, só consigo enxergar beleza."

Disse que o personagem que menos gostei foi o César e a que mais gostei foi a Júlia mas a Lola realmente me deixou no meio termo. Toda "desconstruidona", a DJ questiona muito a sociedade conservadora de hoje e seus tabus. Decidida, de personalidade forte, livre e sem amarras quando o assunto é sexo e sexualidade, ela gosta de manter seus relacionamentos em apenas prazer, sem envolver nada sério. Porém, acho que esse seu jeito desconstruído e livre em alguns momentos a deixou um pouco caricata mas isso foi lá pela metade do livro mesmo, depois essa sensação foi passando e a personagem me agradou um pouco mais, principalmente quando entendemos as suas razões para ter escolhido essa vida louca. Razões compreensíveis, reais e claro, tristes. Essa parte do livro, inclusive, me fez gostar mais ainda dela.   

"Aos olhos dos outros, sou rapidamente classificada como uma 'puta' de marca maior. Qualquer um com meio neurônio, entretanto, sabe o que sou de verdade: uma força da natureza, impossível de ser controlada."

Esse não é um livro leve. Sexo, drogas, rock 'n' roll e outros tabus como sexualidade, política e pornografia estão presentes em toda a obra. Sexo, principalmente, e sem nenhum pudor ou tabu. Este inclusive é narrado de forma explícita, porém como os personagens usam muito do ato como um escape, toda a ação é narrada de forma que você perceba que ali não há sentimentos e que a única intenção do personagem no momento é "gozar" e acabou, tchau. 

"Não há futuro para quem está condenado."

O cenário político brasileiro de 2016 é um pano de fundo caótico para os acontecimentos do livro, sendo citado em alguns momentos rápidos através de outros personagens durante conversas, porém sem muito aprofundamento. 

Outros personagens que aparecem e se mostram interessantes são Bianca, amiga e em alguns momentos amante de Lola, jovem autora de romances eróticos que andam fazendo sucesso em território nacional e Max Califórnia, o único cara que Lola parece não conseguir esquecer.

"O que estou vivendo é uma espécie de prorrogação na qual os deuses estão me dizendo: você já esgotou a sua cota de sofrimento, agora pode se divertir um pouquinho antes que venhamos buscá-la."

O final do livro foi bastante satisfatório para mim. Não deixou pontas soltas, foi um final fechado porém ao mesmo tempo sem um ponto final. Fiquei com vontade de saber o que vem depois do último capítulo, o que aguarda cada um daqueles personagens no futuro. Até mesmo o Max que só apareceu na segunda metade da obra e narrou apenas um capítulo, me deixou curiosa com relação ao que o espera futuramente. Gosto desses finais "fechados" porém que permitem possibilidades. 

"A era do homem acabou: agora é a nossa vez de sermos caçados, e não vejo isso exatamente como um problema."

Outra coisa que gostei bastante foi da playlist do livro. Há muitas referências musicais na obra, principalmente do bom e velho rock 'n' roll, a maioria delas vindas de Lola que é DJ porém os outros personagens não ficam muito para trás, o que deixou todo o livro com uma vibe bem "sexo, drogas e rock 'n' roll" mesmo, o que acho que era a intenção do autor. Em muitos momentos eu me peguei cantarolando algumas das músicas citadas ou li as cenas com a música tocando baixinho em minha mente. 

"Eu queria ser maltratada, precisava desse rancor para justificar, para o público à minha volta, todas as loucas escolhas da minha vida."

É um romance ácido, que provoca, incomoda, critica e em alguns momentos pode chegar a alfinetar o leitor e o cenário brasileiro. Com o vocabulário bem desbocado, muita música, sexo, tabus, drogas e um pouco de política, além dos assuntos atuais que são abordados, Tudo o que poderíamos ter sido é um livro que talvez não vá agradar a todos os leitores visto a sua temática e escrita mais crua porém, para mim, se mostrou uma leitura profunda e repleta de um conteúdo que eu sinceramente não esperava encontrar em suas páginas. Foi uma surpresa realmente positiva, visto que a obra me agradou bastante. Fiquei curiosa para ler outros livros do autor, que espero que sejam tão bons quanto esse. O melhor nacional que li esse ano. 

Foto: Larissa  |  @paragrafocult
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O livro também pode ser adquirido com o autor através de seu instagram @ZekaSixx

Esse livro foi enviado pelo autor mas o blog Parágrafo Cult se coloca no direito de fazer uma resenha sincera e justa, de acordo com a nossa opinião com relação a obra.

18 comentários , comente também!

  1. Eu também adoro livros que de alguma forma trazem personagens reais e problemas reais para a trama. Eu me identifico totalmente. Logo no início da resenha, no primeiro trecho que citou, já fiquei abalada. Esse livro parece bem impactante e me deu uma vontade enorme de conhecer. É uma obra bem diferente do que estou acostumada, mas o tema mais real, faz com que eu me interesse.

    Beijos

    Imersão Literária

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  2. Oi, Larissa como vai? Uau que resenha maravilhosa. Presumo ser um livro bem elaborado. Romances ácidos são excelentes de serem lidos, pois costuma tirar leitores da zona de conforto.Que bom que você gostou de o ler. Adorei a capa. Abraço!



    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Oi Larissa,
    Gosto de leituras que mexem conosco, parece ser uma obra bem forte!
    O melhor nacional do ano? Que ótimo!!!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Olá...
    Ainda não conhecia esse livro, maaaas, parece ser uma leitura bastante interessante de ser realizada... Vou anotar a dica aqui!
    Bjo

    Eu voltei para o blog! Dá uma passadinha lá ;)
    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  5. Oi Lari, tudo bem?
    O autor enviou esse livro pra mim também e eu já curti muito a proposta e a ambientação, especialmente pela época conturbada que foi 2016. Saber que a obra é madura e tem um bom desfecho, como você pontuou, me deixou com mais vontade ainda de ler!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  6. Olá, Larissa!
    Não conheço o livro, mas o que importa é termos uma leitura prazerosa :)
    Um bom domingo e beijinhos :)

    http://tudosoblinhas.blogspot.com

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  7. Olá, Larissa.
    Como sempre ótima resenha. Eu não conhecia o livro ainda, mas fiquei interessada. Eu gosto de todo tipo de personagens, mas claro que me identifico mais quando eu consigo acreditar que aquele personagem poderia ser qualquer pessoa que conheço. Se der vou ler ele.

    Prefácio

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  8. "é um livro que talvez não vá agradar a todos os leitores"

    Creio que não me agradaria. Mas não devido às razões trazidas por vc. Até pq esses recursos estilístico são utilizados há anos em diversas obras até mesmo de autores gabaritados. Mas porque me pareceu meio panfletário e, claro, puxando a sardinha para um lado ideológico com o qual convivi durante toda a faculdade, com o qual pactuava e que, hoje, não apenas evito mas, igualmente, combato. De qualquer forma, ponto para Zekka que assumiu um lado e produz cultura com ele. Hoje em dia, em tempos de "isentões" que fingem não ter ideias, ideários ou ideologias, aplaudo qualquer pessoa que diga: creio e luto por isso, é no que acredito.

    Algumas passagens trazidas por você me causaram até um certo arrepio. Não tenho religião, por exemplo. Mas sempre que vejo alguém falando em "fanatismo religioso" já fico com a pulga atrás de orelha. Fanático, hoje, é qualquer um que esteja feliz seguindo os dogmas da religião que optou seguir. E penso que religião mais ajuda pessoas do que atrapalha vidas. Gente que estava jogada à sarjeta e que, hoje, trabalha e entrega 10% do que ganha, feliz da vida, a um pastor. Está errada? Penso que está feliz. E, de resto, dogmas são dogmas e estão aí para serem seguidos por quem aderiu a uma dada religião.

    O pano de fundo escolhido também é bem emblemático, como se um impedimento de Presidente estivesse abalando o mundo de uma forma avassaladora, inclusive com tanto reflexo em vidas humanas! Sei não... Presidente, seja qual for, é assim mesmo: se a maioria do Poder Político não quiser, para agradar à vontade popular, basta dar um pé na bunda.

    Quando vi a capa, pensei se tratar de um romance distópico!!! Ficou muito bonita.

    Abraços, garota!!!

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  9. Oi, Larissa. Tudo bem?
    Parece ser um livro bem ácido e com temas bem profundos com seus personagens imperfeitos e pelo jeito você gostou bastante. Parece bem interessante mesmo.

    Beijos, Vanessa
    Leia Pop
    Leia Pop

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  10. Eu recebi esse livro também e está na minha lista de leituras próximas. Já estava bem curiosa para ler, depois da apresentação do autor, agora fiquei mais curiosa ainda, com sua resenha.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  11. Caramba que legal esse livro!!
    Eu também prefiro muito mais livros e filmes com temas mais reais, com personagens imperfeitos e tals...
    E achei muiito legal que o livro trata de problemas que realmente aconteceram e são bem atuais. Bem interessante!
    Ah, e eu também adorooo ouvir Mamonas Assassinas hahahahahha :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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  12. Amei a resenha. Ainda não conhecia esse livro e amei por ser nacional.
    Gosto muito de histórias com personagens alternados
    beijos
    http://www.dearlytay.com.br/

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  13. Também amo esse tipo de entretenimento que traz personagens reais, e o legal desse livro é que a ambientação é em meio a algo que conhecemos bem: caos político e jovens perdidos sobre suas vidas, haha.
    Apesar de ter uma escrita crua, acho que o livro critica e passa bem a sua mensagem. Gostei!
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  14. Oi
    não conhecia a obra, que bom que gostou ainda mais por trazer personagens mais realistas como você gosta, não sei se leria esse livro, mas parece sem bem interessante.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  15. Oi Lari, tudo bem? Eu achei a premissa mega interessante, parece mesmo um livro para incomodar de uma maneira boa e com uma história intensa! Gostei da dica!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  16. Uau! Acho que estou chocada e com a boca aberta. Mas de forma positiva. Esse livro parece mesmo ser cru, parece dar um tampa na cara dos brasileiros. Caramba, que história. Depois da sua resenha, sinto como se tivesse lido o livro também, parabéns,conseguiu me fazer entrar na história e imaginar todas as tramas e personagens. Acho que eu iria mara cada um. É uma história bem diferente e um livro nacional que merece visibilidade sem dúvida alguma. Mas acho que por tratar de sexo (coisa que amo ler haha) muitos não darão o reconhecimento devido à obra.
    Jardim de Palavras

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  17. Oi
    parece ser uma obra bem escrita, interessante que se aproxima do real e ainda se passa no Brasil., mas apesar da sua resenha positiva é uma história que não faz muito meu estilo de leitura.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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