Foto: Acervo Pessoal - Parágrafo Cult
 Editora: Ponto de Leitura  -  Páginas: 610  -  Ano: 2009 -  Gênero: Ficção/Suspense
Sinopse: Após passar quase cinco anos em um coma profundo, Johnny Smith, um simples professor, acorda de seu estado inconsciente não reconhecendo certos objetos. Segundo os médicos, Johnny está com uma área de seu cérebro danificada, a qual eles chamam de Zona Morta. Entretanto esse será o menor de seus problemas daqui pra frente. Ele agora é capaz de, com um simples aperto de mão, saber fatos do passado das pessoas e prever seu futuro. Para aqueles que estão a`sua volta, está é uma dádiva. Para Johnny, não passa de uma maldição. Com isso, o professor torna-se popular, atraindo um número crescente de pessoas em busca de previsões. Mas ao apertar a mão de Greg Stillson, um inescrupuloso político norte-americano, Johnny será atormentado por uma visão apocalíptica. Ele será então, obrigado a tomar uma decisão que pode mudar não só a sua, como a história de todo o mundo. 

Sempre que posto uma resenha de um livro do King aqui, muita gente vem me dizer que não o leria por não gostar de terror, por terem medo. Então, na resenha de hoje, venho dizer que o autor não escreve apenas livros de terror. King já se aventurou pelo drama, suspense e romance policial. 
A Zona Morta é um romance de suspense com um pouco de drama (apesar de que tem alguns momentos bem ao estilo de romances policiais) que foi publicado originalmente no ano de 1979 e é de longe um dos meus livros preferidos do autor. Aqui, a história gira em torno de Johnny Smith, um professor super de bem com a vida, querido por muitos, que está no início de um relacionamento de uma moça do trabalho chamada Sarah e completamente apaixonado por ela. Sua vida parece estar seguindo um caminho bem simples e feliz.

Pensar era mesmo muito maçante, principalmente quando tudo o que uma pessoa tinha na cabeça era ela mesma e um amor perdido.

Desde quando era criança, devido a uma queda na neve, ele tem pressentimentos, lampejos sobre determinados acontecimentos. Pressentimentos esses que costumam ser certeiros porém não era algo que interferia diretamente em sua vida ou que pudesse ser visto como algo fora do normal. Um dia, após voltar da casa de Sarah, sua namorada, o táxi em que está se envolve em um acidente grave. O motorista morre na hora e Johnny fica em estado de coma por quase cinco anos.
Quando acorda, obviamente a sua vida já não é mais a mesma: seu corpo está fraco e definhando devido aos anos em um leito de hospital, então terá que fazer fisioterapia para reaprender a andar além de outras cirurgias, sua mãe virara uma fanática religiosa com problemas psicológicos sérios por conta do seu acidente e do medo de perder o filho, Sarah agora estava casada com outro homem, ele não conseguia reconhecer objetos cotidianos simples (isso devido a área lesionada em seu cérebro por conta do acidente, da qual os médicos chamaram de A Zona Morta) e por fim, adquirira o dom de prever o futuro ou reconhecer fatos do passado de outras pessoas através do toque na mesma ou em algum objeto que a pertencesse. 
Esse dom acaba chamando atenção por conta das suas primeiras manifestações ainda no hospital e por isso Johnny acaba recebendo muita atenção indesejada. Queria apenas seguir sua vida de forma normal mas começara a receber pedidos de pessoas desesperadas por ajuda para encontrar entes queridos ou para solucionar alguns crimes. Johnny se sente perdido, claro, afinal em sua mente, a sensação é de que perdera bem mais do que apenas cinco anos de sua vida. 

 - Às vezes eu acho que nada é justo - disse ele. - A vida é dura. Às vezes, você simplesmente precisa se contentar com o pouco que tem e tentar viver com isso.

O livro corre até a metade com Johnny se recuperando no hospital. Ele passa por cirurgias, faz alguns tratamentos e aprende a lidar um pouco mais com seu novo dom, tentando ao máximo atrair a menor quantidade possível de atenção para si. Também temos todo o processo de aceitação dele por ter perdido Sarah, que se culpa um pouco de não tê-lo esperado. Todos achavam que ele iria morrer. Até mesmo seu próprio pai. Ah, ele também ajuda a polícia a solucionar um caso de um psicopata que estava atacando jovens mulheres.
Quando já está praticamente recuperado, Johnny se muda para uma casa simples e tenta retomar a sua vida como antes. É época de eleição e o rapaz por ser professor, se interessa muito por política e a sua curiosidade faz com que o mesmo saia de casa para ir a comícios apertar a mão dos candidatos para ver por si só como se sairiam caso ganhassem. Paralelamente a isso, vamos conhecendo um pouco mais de Greg Stillson. Ele é um político que está ganhando destaque rapidamente por contratar pessoas que são excluídas da sociedade, como antigos criminosos e jovens delinquentes, implantando formas de governo para re-habilitar cada um ao invés de prendê-los. Ele não faz isso porque deseja menos sofrimento para eles e sua recuperação total e sim porque sabe que ganhará seu apoio. Greg criara uma imagem de político do povo, aquele "tiozão" bobo que atraiu muita simpatia, então fica bem óbvio que é só uma questão de poucos anos para que consiga chegar a presidência. Desde a sua primeira aparição, na qual apenas por raiva ele mata um cachorro aos chutes, já percebemos o quanto ele é detestável, apesar de manter uma imagem bem querida para o povo.

Bem, todos nós fazemos o que pudemos e isso tem de ser bom o bastante... e se não é bom o bastante, temos de continuar fazendo.

Ao segurar sua mão, Johnny tem uma visão que o assusta, que o deixa em choque: uma Terceira Guerra Mundial estoura por conta das ambições de Greg no poder. A partir daí, Johnny começa a rever sua vida e a se questionar se vale a pena tirar uma vida para salvar muitas outras e impedir uma catástrofe. Irá um simples e simpático professor se tornar um assassino para salvar muitas outras pessoas e impedir uma guerra? Um dos melhores momentos do livro para mim, foi quando ao conversar com um senhor veterano da Primeira Guerra Mundial e que perdera o filho na Segunda Guerra para os nazistas, perguntou a ele se mataria Hitler caso tivesse a oportunidade, apenas para evitar toda a catástrofe que ele causara. O diálogo desse momento é maravilhoso. 
Esse livro me prendeu de uma forma que o devorei em poucos dias. É uma história incrível porque ao contrário de muitos livros de King, Johnny não vai perdendo o que o torna bom e querido. Ele é a mesma pessoa do começo ao fim, mesmo que um pouco mais melancólico após o acidente. É um rapaz bom com um ótimo relacionamento com seu pai e que queria apenas uma vida tranquila e é claro que ele não conseguiu. Podemos ver em todo o momento o quanto Johnny se questiona sobre agir ou não, mas quando ele toma a sua decisão, ele não volta atrás. 
Talvez algumas pessoas achem o livro meio parado mas ao menos comigo, a leitura foi tão gostosa que não vi o tempo passar. É muito bem escrito e todos os personagens são bem construídos, sem exageros nas descrições dos mesmos. 
O livro tem uma adaptação para o cinema com o ator Christopher Walken no papel. O filme é ótimo, do ano de 1987 e se chama A Hora da Zona Morta. Da adaptação, eu apenas não gostei do fato de que no livro John Smith tem quase trinta anos quando acorda do coma mas no filme o ator já tinha quase cinquenta. Porém isso é reclamação besta que sinceramente não diminui a qualidade da obra. Há também uma série inspirada no livro, do começo dos anos 2000 que é terrível. 

A Hora da Zona Morta (1987) - Trailler

Nota: 4,0/5,0