Sinopse: Um cientista obcecado desafia as leis da natureza e põe em risco a vida daqueles que ama. Uma criatura quase humana que deseja ser um de nós mas só encontra medo, ódio e morte pelo caminho. A obra-prima de Mary Shelley que deu origem ao terror moderno está de volta, numa edição monstruosa como só a DarksideBooks poderia lançar: capa dura, tradução primorosa, ilustrações inéditas do artista brasileiro Pedro Franz, além de quatro contos extras que versam sobre o mesmo tema do romance. Impresso em duas cores: preto e sangue. Um livro que todos deveriam ler e reler ao longo da vida. A edição definitiva para guardar para sempre. 
De uns tempos para cá, ando relendo alguns clássicos que passaram pela minha vida e que me marcaram de alguma forma. Não só livros como filmes também e isso é maravilhoso. Frankenstein é de longe um dos meus livros preferidos da vida e antes de eu ler o livro, conhecia apenas o que as adaptações de filmes e séries haviam me mostrado. Ganhei o livro do meu namorado no começo do nosso namoro mas admito que demorei até finalmente embarcar na leitura por preguiça, porém quando finalmente o fiz, a obra conseguiu um lugar fixo e único no meu coração. 

Seria o homem, ao mesmo tempo, de fato tão poderoso, virtuoso e magnífico e, no entanto, tão desprezível?

Quando ouvimos o nome Frankenstein, a primeira coisa que nos vêm a mente é a face esverdeada e disforme, com parafusos, costurada eternizada pelo ator Bóris Karloff no filme de 1931, porém esse não é o nome da criatura e sim do seu criador, o dr. Victor Frankenstein. Por mais que essa seja uma obra antiga e com palavras rebuscadas, a leitura flui facilmente, sem causar problemas de entendimento. Logo no início do livro já é possível entender o que fez com que essa história se  tornasse um clássico: ela nos faz questionar sobre a forma de pensar do homem, sua ambição, sobre a necessidade de sempre ter mais e mais conhecimento sobre tudo. Sem contar o questionamento principal ali: quem é o verdadeiro monstro? A criatura ou o seu criador?

Se eu não posso provocar compaixão e amor, então, eu vou provocar o terror. 

Victor Frankenstein cresceu em uma família de classe social boa e que o amava. Sempre teve muito interesse pela área da ciência e ao viajar para estudar, torna-se obcecado pela ideia de criar vida. Essa obsessão vai o consumindo aos poucos e ele deixa de viver para poder alcançar seu objetivo. Ele obviamente consegue, claro ou não teríamos história, porém ao ver o que havia criado, tomado pelo medo, abandona a criatura e tenta a partir de então, viver como se nada tivesse acontecido, tentando apagar aquilo de sua mente. Seu arrependimento instantâneo mostra que apesar de todo o esforço que depositou no projeto, não imaginava que realmente conseguiria. Quando a Criatura finalmente o encontra, ela traz consigo muitas mágoas e perguntas. Por que todos o rejeitam?

Trabalhei com afinco por quase dois anos com o único propósito de infundir a vida a um corpo inanimado. Para isso, privei-me do descanso e da saúde. Desejara esse projeto com um ardor que em muito excedia a minha moderação; mas agora que terminara, a beleza do sonho se desvaneceu, e meu coração estava repleto de desgosto e horror. 

Ao ler o livro, criei uma afeição enorme pela Criatura. Ela só queria ser amada e entender o motivo de todos a rejeitarem, de terem tanto asco dela. Ela transbordava sentimentos e em muitos momentos eu quis entrar na história e abraçá-la. Enquanto por Victor, senti zero empatia. Ele referia-se a Criatura sempre com nomes pejorativos, deixando sempre o arrependimento de tê-la criado bem aparentes em suas palavras e atos. 

Mas é justamente assim, o anjo caído torna-se demônio.

Com o passar do tempo e com o coração já cansado de tanta dor e rejeição, a Criatura vira um verdadeiro monstro. Ela deseja vingança por conta de toda a dor e rejeição que passou. Já Victor, nada mais é do que arrependimento. É como se os papéis houvessem se invertido. A Criatura que antes transbordava amor e incompreensão, tornara-se fria. 

Os acontecimentos do livro são narrados de forma leve através de cartas e diários. A editora teve todo o cuidado na diagramação do livro que veio com uma linda capa dura, fita de cetim para marcar as páginas e muitas ilustrações lindas em seu interior. As páginas são amareladas, o que eu adoro pois não cansa meus olhos durante a leitura. 

Trazia amor e humanidade dentro da alma, antes que viesse a ficar só, miseravelmente, como agora.

Esse maravilhoso clássico, mesmo tendo sido lançado originalmente em 1818, continua sendo mais atual do que nunca. Não apenas pela temática, como também pelas mensagens e questionamentos que traz. É um livro que todo mundo deveria ler ao menos uma vez. É uma obra que vai te fazer pensar e não tremer de medo como muitos pensam. O livro é uma mistura de sci-fi, com um toque de horror, drama e suspense. Falando muito sobre a época em que foi lançado, quando a ciência passava por um grande avanço. 

Indico mais do que mil vezes a leitura. O que acharam? Já leram esse ou algum outro clássico?